Com um cenário marcado por instabilidade política, pressão econômica, eleições presidenciais e até Copa do Mundo, o ano de 2026 já se apresenta como um dos mais complexos dos últimos tempos.
Mas, no setor de energia, o desafio vai além do contexto macroeconômico: o ano será um divisor de águas, separando quem atua com planejamento estratégico de quem ainda opera no improviso.
Essa é a análise de Bernardo Marangon, especialista no setor elétrico brasileiro. O diretor de novos Negócios do Canal Solar afirma que 2026 não será um ano simples, e que as decisões tomadas agora terão papel decisivo nos resultados futuros.
“2026 vai ser decidido pelas decisões que você toma agora, e não pelo mercado”, resume.
2025: o ano em que previsões se concretizaram
No início de 2025, Marangon já alertava para tendências que se confirmaram ao longo do ano. Uma delas foi o avanço acelerado da energia solar e eólica, que evidenciou de forma clara um problema conhecido, mas negligenciado: a intermitência da geração e os limites da infraestrutura de rede.
O resultado? Um aumento significativo nos episódios de curtailment, quando a geração de energia renovável precisa ser reduzida ou cortada, simplesmente porque não há como escoá-la. A geração cresceu mais rápido do que a capacidade da rede elétrica de absorver e distribuir essa energia.
“O curtailment deixou de ser exceção. Em 2025, vimos cortes frequentes na geração solar e eólica porque a rede não comportava o volume produzido”, aponta Bernardo.
Outra aposta que se materializou foi a adoção prática de sistemas de armazenamento. As baterias, que até pouco tempo habitavam mais os discursos de eventos e painéis teóricos, passaram a ser efetivamente implementadas, especialmente como soluções “behind the meter”, atendendo clientes de média tensão.
Apesar do avanço, os limites econômicos também ficaram evidentes. O especialista reforça que bateria não é uma solução mágica, e que projetos que tentam armazenar toda a energia solar durante o dia para injetar à noite ainda enfrentam baixa viabilidade econômica.
Três grandes vetores para 2026
Para Bernardo, 2026 será um ponto de inflexão impulsionado por três movimentos estruturais no setor.
Energia solar: o fim do crescimento fácil
O setor solar atingiu a maturidade de mercado. Os projetos continuam, principalmente junto à carga, mas a era do crescimento quase automático ficou para trás. “Não é o fim da energia solar, é o fim do crescimento fácil”, resume.
Agora, a concorrência exige posicionamento estratégico, eficiência operacional e diferenciação real. Profissionais e empresas que prosperam são os que tratam o marketing de forma estratégica e cultivam um relacionamento bem trabalhado com o cliente.
Armazenamento com baterias: de tendência a necessidade estratégica
O armazenamento de energia passa a ser um diferencial competitivo. Aplicações como backup, segurança energética, peak shaving e arbitragem de preço ganham protagonismo.
No entanto, a venda de baterias exige uma abordagem técnica e centrada em valor. Quem tenta vender baterias como se fossem painéis solares, sem explicar os benefícios técnicos e econômicos com clareza, tende a errar o mercado.
“Além do benefício econômico, a bateria entrega valor técnico e estratégico. Se você não souber comunicar isso, não vai conseguir vender”, alerta Bernardo.
Mobilidade elétrica: a próxima fronteira
O avanço da mobilidade elétrica foi surpreendente em 2025, e promete ser ainda mais forte em 2026. A demanda por infraestrutura de carregamento, como estações, eletropostos e serviços de instalação, se torna uma oportunidade real de negócios.
Além disso, há um impacto direto no consumo energético. Segundo Marangon, as contas de energia podem dobrar quando um cliente adquire um carro elétrico.
“A eletrificação da mobilidade impulsiona ainda mais o setor elétrico. Quem não estiver de olho nisso, vai perder uma grande oportunidade”, completa.
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