A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) concedeu autorização para a comercialização do biometano produzido pela planta Onebio, localizada em Paulínia (SP). A medida atesta que o combustível produzido na usina atende plenamente às especificações técnicas e às condições operacionais exigidas, permitindo sua injeção na rede de distribuição de gás natural.
O empreendimento é resultado de uma parceria entre a Orizon e a Edge e utiliza resíduos orgânicos provenientes de aterros sanitários para a produção de biometano, combustível com características semelhantes ao gás natural fóssil. O objetivo é atender à demanda de indústrias, residências e frotas de transporte, contribuindo para a descarbonização e para a gestão sustentável de resíduos sólidos.
Com investimento de R$ 450 milhões — viabilizado por recursos do Fundo Clima e da linha Finem — a planta tem capacidade para produzir até 225 mil m³ por dia de biometano. Trata-se de uma das maiores unidades em operação no Brasil e na América Latina, além de ocupar a terceira posição no ranking global de capacidade produtiva do setor.
“Com essa autorização (da ANP), consolidamos um projeto de biometano em escala relevante, integrado à malha de gás natural, capaz de oferecer previsibilidade e competitividade ao mercado”, disse Demetrio Magalhães, CEO da Edge.
Segundo o executivo, a estrutura do empreendimento permite a combinação entre gás natural e biometano, ampliando a flexibilidade de oferta. “Esse desenho permite à empresa estruturar blends de gás natural e biometano, alavancando a infraestrutura e a escala do gás natural para viabilizar uma oferta consistente e competitiva de gás renovável”, afirmou.
Na avaliação de Milton Pilão, CEO da Orizon, a autorização da Agência Reguladora reforça o papel estratégico do projeto para a matriz energética nacional. “Estamos escalando a transformação de resíduos em gás renovável com confiabilidade, previsibilidade e capacidade industrial, oferecendo uma solução que permite aos clientes avançar em suas metas de descarbonização”, pontuou.
Economia circular e expansão da oferta
Além dos benefícios energéticos, o projeto se insere no conceito de economia circular ao transformar resíduos sólidos urbanos em fontes de energia limpa. A planta processa cerca de 5.000 toneladas diárias de resíduos provenientes de mais de 30 municípios.
Diferentemente de rotas baseadas em biomassa agrícola, a produção de biometano a partir de aterros sanitários garante fornecimento contínuo, sem sazonalidade, característica relevante para o atendimento de frotas de transporte e processos industriais que demandam previsibilidade.
A infraestrutura da unidade já conta com um city gate conectado à rede de distribuição, permitindo a injeção imediata do gás. A empresa também planeja implantar sistemas de liquefação, com o objetivo de atender clientes fora da malha de gás e ampliar a presença do biometano em diferentes regiões do país.
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