O início de 2026 foi marcado por um dos maiores apagões da história recente de Berlim. Regiões do sudoeste da capital alemã ficaram dias sem eletricidade após um incêndio atingir cabos de alta e média tensão responsáveis pelo abastecimento local. Cerca de 45 mil residências e mais de duas mil empresas foram afetadas.
O fornecimento foi restabelecido de forma gradual ao longo de vários dias, em um período de baixas temperaturas, o que ampliou os impactos sobre a população e os serviços essenciais.
Falta de energia afetou aquecimento, comunicações e serviços públicos
Com o apagão, moradores ficaram sem aquecimento, iluminação, internet e telefonia. Escolas suspenderam aulas e empresas interromperam operações. Hospitais e unidades de saúde precisaram operar com geradores de emergência para manter serviços críticos em funcionamento.
Apesar de evitarem colapsos maiores, especialistas alertaram que esses sistemas de backup são projetados para períodos curtos e não para interrupções prolongadas, o que expõe riscos adicionais em situações extremas.
O episódio trouxe à tona a dependência de uma infraestrutura altamente centralizada e a dificuldade de resposta rápida diante de falhas em pontos estratégicos da rede.
Ataque a cabos revelou ponto único de falha na infraestrutura
As investigações apontaram que o apagão foi causado por um ataque deliberado a uma ponte de cabos sobre o canal de Teltow. Um grupo extremista reivindicou a autoria do incêndio, embora as motivações ainda estejam sendo analisadas pelas autoridades alemãs.
Especialistas destacaram que a concentração de várias linhas elétricas em um único local facilitou que um ataque pontual resultasse em um impacto de grandes proporções. Esse tipo de configuração é conhecido como “ponto único de falha” e representa um risco elevado para infraestruturas críticas.
Autoridades defendem redes mais seguras e resilientes
Após o apagão, o debate sobre a segurança da infraestrutura elétrica ganhou força na Alemanha. Autoridades e especialistas defenderam investimentos em proteção física da rede, aumento de redundâncias e modernização de sistemas de emergência.
Relatórios técnicos também chamaram atenção para a necessidade de revisar o modelo atual do sistema elétrico, tornando-o mais flexível e menos dependente de grandes estruturas centralizadas. A resiliência passou a ser vista como prioridade, especialmente em um cenário de riscos crescentes , climáticos, geopolíticos e de segurança.
Energia renovável e armazenamento podem reduzir impactos de apagões
Além do reforço físico da rede, especialistas apontam que a descentralização da geração de energia pode reduzir significativamente os impactos de eventos como o apagão de Berlim. Soluções como sistemas de armazenamento em baterias e geração distribuída ganham destaque nesse contexto.
Especialistas do setor elétrico já vinham apontando, após o apagão na Península Ibérica, que sistemas de armazenamento em baterias ajudam a manter cargas essenciais operando durante falhas na rede principal e contribuem para a estabilidade do sistema. Essas tecnologias funcionam como uma camada adicional de segurança energética.
Na Alemanha, ferramentas como o Balkonkraftwerk, pequenos sistemas solares instalados em apartamentos e residências, vêm sendo discutidas como parte da solução.
Embora não substituam a rede elétrica, esses sistemas, quando combinados com baterias, podem garantir energia mínima para iluminação, comunicação e outros usos essenciais.
A descentralização da geração, aliada ao armazenamento, reduz a dependência de grandes infra estruturas vulneráveis e distribui melhor os riscos ao longo do sistema elétrico.
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