A AXIA Energia e a GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit) oficializaram uma parceria estratégica para o desenvolvimento da primeira planta de produção de aço de baixa emissão de carbono a partir do hidrogênio verde no Brasil. A iniciativa integra a Cooperação Brasil–Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável.
O projeto prevê a construção de uma planta de hidrogênio verde com capacidade de até 10 MW, que irá abastecer uma usina siderúrgica parceira. O objetivo é reduzir significativamente as emissões de CO₂ associadas à produção convencional de aço e demonstrar a viabilidade econômica do modelo em escala comercial.
A parceria faz parte do programa develoPPP, financiado pelo BMZ (Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento da Alemanha), e busca acelerar a transição da siderurgia brasileira para processos mais sustentáveis, além de posicionar o país como referência global em aço de baixa emissão de carbono.
Além da implantação da planta, o projeto contempla ações de capacitação profissional, fortalecimento da infraestrutura do setor e discussão de metodologias para certificação do aço de baixa emissão, etapa considerada fundamental para inserção do produto em mercados internacionais mais exigentes.
Segundo Juliano Dantas, vice-presidente de Inovação, P&D, Digital e TI da AXIA Energia, a iniciativa reforça a estratégia da companhia de atuar na descarbonização de cadeias produtivas intensivas em carbono.
“A AXIA Energia tem como propósito oferecer soluções sustentáveis que impulsionem a descarbonização de diferentes cadeias produtivas e reforcem seu protagonismo na transição energética. A parceria com a GIZ para a produção de aço de baixa emissão de carbono representa mais um avanço estratégico da companhia na construção de novos negócios e parcerias orientados pela responsabilidade socioambiental, contribuindo para tornar a indústria mais limpa, competitiva e sustentável”, afirma.
Já o diretor nacional da GIZ Brasil, Jochen Quinten, avalia que o projeto marca um novo estágio da cooperação entre Brasil e Alemanha no setor energético. Após mais de 15 anos de colaboração em energias renováveis, a parceria avança agora para uma indústria considerada estratégica e de difícil descarbonização. Segundo ele, os benefícios da iniciativa tendem a ser compartilhados entre Brasil, Alemanha e União Europeia.
“Com a AXIA, damos agora um passo decisivo ao levar esse acúmulo de conhecimento e experiências para uma indústria-chave como a siderurgia. A desfossilização do aço é um desafio comum ao Brasil, à Alemanha e à União Europeia e os benefícios dessa cooperação serão igualmente compartilhados”, avalia Quinten.
Desafio da desfossilização da siderurgia
A siderurgia é um dos setores mais complexos no processo global de descarbonização. Dados da IRENA (International Renewable Energy Agency) indicam que a indústria do aço responde por cerca de 7% das emissões globais de dióxido de carbono (CO₂).
No Brasil, apesar da elevada participação de fontes renováveis na matriz elétrica, a produção de aço ainda depende fortemente de combustíveis fósseis.
Essa dependência expõe o setor a riscos crescentes, como taxação de carbono, barreiras comerciais e exigências ambientais em mercados internacionais, especialmente na Europa.
O processo de produção de aço com hidrogênio verde começa com a geração de eletricidade renovável, proveniente de fontes como solar, eólica ou hidrelétrica, utilizada em plantas de eletrólise para separar a molécula de água em hidrogênio e oxigênio.
Na etapa seguinte, o hidrogênio substitui total ou parcialmente insumos fósseis, como o coque de carvão ou o gás natural, em altos-fornos ou sistemas auxiliares, resultando em aço com menor pegada de carbono.
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