O Canal Solar publicou recentemente uma matéria destacando a economia superior a R$ 1,8 milhão gerada pela usina solar instalada no Hospital de Clínicas da UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro).
Nesse contexto, a implantação do projeto ocorreu em um contexto desafiador, logo após o início da pandemia de Covid-19, que impactou diretamente o cronograma da obra por se tratar de uma unidade hospitalar.
Segundo Diego Otávio, Diretor do Grupo Ascenário e da Rede Imersol, e um dos responsáveis pelo projeto, o cenário da época atrasou o cronograma de execução da implantação da usina.
“A primeira parte da usina começou a ser operada em meados de 2020. A partir de julho, o sistema começou a entrar em operação de forma gradual, inicialmente com dois inversores, até alcançar, no final de outubro de 2020, o funcionamento com 100% das placas, totalizando 11 inversores”, relembrou.
Mesmo com a interrupção temporária das atividades, o projeto manteve sua viabilidade técnica e financeira, resultado direto de um planejamento detalhado realizado antes do início das obras.
Ainda na fase preliminar, a equipe responsável conduziu um estudo técnico para avaliar as principais tecnologias disponíveis no mercado fotovoltaico, considerando não apenas o investimento inicial, mas também o comportamento do sistema ao longo do tempo.
Nesse estudo, foram analisadas alternativas: inversor central convencional, microinversores e sistema com otimizadores e inversor central.
Como o hospital é atendido em média tensão, enquadrado na tarifa horo sazonal verde, a análise considerou impactos diretos no retorno financeiro, além das limitações físicas da cobertura, como orientação dos módulos e interferências estruturais.
Diego explica que, embora o sistema com inversor central convencional apresentasse menor custo inicial, ele se mostrou menos atrativo no médio e longo prazo.
Mas segundo ele, a tecnologia com o inversor Solar Edge com otimizador se mostrou mais adequada às condições do local, especialmente para reduzir perdas associadas a sombreamento parcial e acúmulo de sujeira, comuns na cobertura do hospital.
Essas características do telhado, aliás, tiveram papel central em toda a concepção do projeto. A presença de antenas, platibandas e equipamentos técnicos já impunha desafios à geração, cenário que se intensificou posteriormente com a construção de um novo prédio anexo, mais alto que a edificação original.
Mesmo assim, o uso de otimizadores permitiu minimizar as perdas e preservar o desempenho do sistema.
Logística
Com a tecnologia definida, a etapa de implantação trouxe desafios práticos relevantes, especialmente na logística de instalação dos módulos fotovoltaicos, posicionados na cobertura de um prédio de três andares.
Segundo Wesley Amâncio de Melo, chefe do Setor de Infraestrutura Física, os equipamentos chegaram em pallets com grande concentração de peso, exigindo uma estratégia cuidadosa de distribuição para evitar sobrecarga estrutural.
“Elas vieram em pallets com 20 unidades cada caixa e não podem ser colocados todos juntos por causa de carga concentrada. O peso concentrado poderia ter abalado a estrutura do prédio”, afirmou.
Além da logística, a execução exigiu atenção especial à estanqueidade do sistema, já que parte dos módulos substituiu telhas de fibrocimento existentes. Ajustes finos foram necessários para garantir a vedação adequada e evitar infiltrações.
“O ajuste do sistema de estanqueidade para não permitir vazamento acabou passando por algumas dificuldades, mas no final fechou tudo há 5 anos sem nenhum tipo de infiltração de água”, explicou.
Integração elétrica
Superados os desafios da instalação física, o foco se voltou à integração do sistema fotovoltaico à infraestrutura elétrica existente. Para isso, foram realizadas adaptações nos quadros elétricos do hospital, permitindo a conexão direta dos inversores aos sistemas de distribuição.
“Na conexão do sistema às instalações do hospital, optamos por uma solução que interliga os inversores diretamente aos quadros elétricos de distribuição, localizados nas proximidades dos inversores de frequência. A integração foi realizada através de adaptações nesses quadros elétricos, interligando a saída protegida por disjuntor do inversor ao quadro de proteção e, subsequentemente, à alimentação dos quadros elétricos de consumo do hospital”, disse Diego.
Em áreas com redes de 380 V, a conexão foi feita de forma direta. Já nos pontos atendidos em 220 V, foram utilizados transformadores para compatibilizar a tensão de saída dos inversores, garantindo segurança e eficiência operacional em todo o complexo hospitalar.
Acredito que seria importante e interessante dar mais visibilidade para o Wesley, o responsável pela infraestrutura.
Desempenho
Com o sistema já em operação, os resultados confirmaram a eficiência das decisões técnicas adotadas ao longo do projeto. Os dados operacionais indicam que a usina tem apresentado desempenho acima do inicialmente projetado.
Diego enfatizou que a estimativa inicial previa uma geração média de 45 MWh por mês, mas o histórico de operação mostra números superiores, com uma média de 52 MWh mensais.
Esse desempenho também se refletiu diretamente no retorno financeiro do investimento, onde o prazo de payback inicialmente projetado, acabou sendo superado, com o retorno efetivo ocorrendo em cerca de 51 meses.
O resultado também foi influenciado, entre outros fatores, pelos reajustes tarifários da concessionária acima da média da inflação, o que elevou o valor da energia economizada ao longo do período.
Todo o desempenho é acompanhado de forma contínua por meio do Solar Edge, que permite monitorar e visualizar da produção em tempo real e a emissão de alertas automáticos, facilitando ações rápidas de manutenção e garantindo a eficiência dos módulos ao longo do tempo.
Aprofunde seu conhecimento:
Usina solar gera economia superior a R$ 1,8 milhão ao Hospital da UFTM
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