Se você frequentou qualquer padaria artesanal, confeitaria de luxo ou até mesmo navegou pelo Instagram, percebeu um fenômeno curioso: o pistache está em tudo. O que antes era um ingrediente de nicho, reservado para ocasiões especiais, repentinamente invadiu ovos de Páscoa, croissants, cafés e sobremesas. Ele se tornou o padrão de desejo, o toque de sofisticação e a tendência.
No setor de energia, estamos vivendo um momento idêntico com os BESS (Battery Energy Storage Systems). Assim como o pistache na gastronomia, as baterias deixaram de ser aquele item futurista e caro do cardápio para se tornarem o ingrediente essencial que todo mundo quer (e precisa) adicionar ao seu projeto.
Até pouco tempo atrás, falar de armazenamento de energia em grande escala ou em projetos comerciais soava como algo experimental. A energia solar fotovoltaica era o “chocolate ao leite”: popular, acessível e funcional. Mas, sozinha, ela tem suas limitações… afinal, o sol se põe.
É aqui que entra o BESS, assumindo o papel de pistache. Ele chegou para elevar o nível. Não se trata mais apenas de gerar energia limpa, se trata de ter essa energia disponível quando você quiser, com qualidade e estabilidade. O armazenamento deixou de ser um acessório (a cereja do bolo) para ser parte fundamental da massa.
Poderíamos argumentar que é apenas uma moda passageira. Mas, diferentemente de certas tendências virais, o “hype” das baterias é fundamentado em uma necessidade estrutural urgente. A intermitência das renováveis exige uma solução mais estruturada. A infraestrutura de rede, muitas vezes sobrecarregada, clama por alívio nos horários de pico (o famoso peak shaving).
O mercado percebeu que adicionar BESS a um projeto não é apenas “gourmetizar” a usina; é garantir sua viabilidade econômica e técnica a longo prazo. Com a queda nos preços do lítio nos últimos anos e o amadurecimento da tecnologia, o que era um luxo está se tornando o novo padrão de mercado.
A verdadeira razão pela qual o BESS é o “novo pistache” não é apenas estética ou tecnológica, mas a experiência que ele proporciona. Para o consumidor ou investidor, as baterias representam liberdade. Liberdade das bandeiras tarifárias, segurança contra apagões e a capacidade de gerir a própria energia de forma inteligente.
O setor elétrico brasileiro e mundial deseja essa inovação. Integradores que não oferecerem soluções de armazenamento em breve parecerão tão desatualizados quanto uma confeitaria que parou no tempo.
Se o pistache conquistou o paladar do público pela sua cor vibrante e sabor distinto, o BESS está conquistando o mercado pela sua eficiência e versatilidade. Não é apenas uma tendência passageira, é a evolução natural do nosso sistema.
Portanto acostume-se, assim como o verde do pistache tomou conta das vitrines, os contêineres e módulos de bateria vão tomar conta do mercado. E, na minha opinião, o futuro da energia nunca teve um “sabor” tão promissor.
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