O Brasil poderá contar em 2026 com uma elevação expressiva da carga de energia, frente a uma projeção de 85.067 MW médios, estimativa que representa um crescimento de 4,6% em relação aos 81.302 MW médios previstos para 2025.
A previsão foi apresentada no Workshop do PLAN (Plano Anual da Operação Energética) 2026-2030, realizado pela EPE (Empresa de Pesquisas Energéticas), em conjunto com o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).
O prognóstico reforça a expectativa de um ano mais exigente para a operação do SIN (Sistema Interligado Nacional), em especial por conta do impacto combinado entre fatores econômicos e condições climáticas mais severas.
El Niño
A projeção de aumento da carga para 2026 está associada, principalmente, à expectativa de um cenário climático mais quente no Brasil.
Há sinais de transição para um possível evento de El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico equatorial, o que tende a elevar a temperatura média global.
Esse tipo de aquecimento prolongado tem efeito direto sobre o consumo de eletricidade, ao intensificar o uso de equipamentos de climatização e refrigeração.
O crescimento é especialmente percebido nos segmentos residencial, comercial e de serviços, que reagem de forma imediata a ondas de calor e períodos de temperatura acima da média histórica.
A tendência indica que o país pode enfrentar, já no primeiro semestre de 2026, condições compatíveis com um El Niño moderado, o que sugere temperaturas superiores às médias históricas, pressionando a demanda elétrica.
Economia sustenta avanço
Além do clima, a projeção de carga mais elevada em 2026 também se apoia em fundamentos econômicos. Mesmo com a previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para 2026 revisada de 2,2% para 2,1%, em razão da manutenção de políticas monetárias restritivas, o cenário ainda considera estímulos no médio prazo.
Fatores como a reforma tributária e investimentos em infraestrutura podem sustentar o aumento gradual do consumo energético, contribuindo para um ambiente de maior atividade econômica e maior necessidade de eletricidade para atender setores produtivos e cadeias de serviços.
Norte e Nordeste
No recorte regional, o crescimento da carga não será uniforme. O PLAN indica que o subsistema Norte deverá registrar a maior alta proporcional, com avanço de 6,9% em 2026. Entre os fatores citados está a interligação de Roraima ao SIN e o retorno de grandes consumidores livres ligados ao setor de alumínio.
O Nordeste também aparece como um dos principais vetores de expansão, com crescimento projetado de 5,8% na carga. Já para o Sudeste/Centro-Oeste, a estimativa aponta alta de 4,5%, levando a demanda regional a 47.634 MW médios.
Datacenters
Outro fator relevante incorporado às projeções para 2026 é o avanço de cargas associadas à infraestrutura digital. O cenário já considera um acréscimo de 321 MW médios decorrente exclusivamente da expansão de data centers conectados à Rede Básica, reforçando a importância desse segmento no planejamento elétrico nacional.
A trajetória de crescimento tende a permanecer firme ao longo da década, aponta o PLAN. A carga do SIN deve manter uma variação média anual de 3,8%, com possibilidade de alcançar 98.151 MW médios em 2030, sinalizando um ciclo de expansão que exigirá planejamento robusto e investimentos contínuos em geração e transmissão.
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