A China será responsável por pelo menos um terço das exportações globais de energia limpa até 2050 e deve transformar seu atual déficit comercial energético em superávit já no fim da década de 2030. A projeção faz parte do estudo “Cenário de Transição Econômica”, elaborado pela BloombergNEF (BNEF).
Pela primeira vez, a consultoria traçou cenários de fluxos comerciais globais até 2050, abrangendo 28 geografias e 28 categorias de produtos ligados à transição energética, entre eles veículos elétricos, módulos solares, baterias e metais para baterias.
O levantamento aponta para uma mudança estrutural no comércio internacional. Enquanto veículos elétricos, baterias e outras tecnologias limpas ganham escala e relevância, os combustíveis fósseis entram em trajetória de estagnação e, posteriormente, de declínio.
Caminhos divergentes para China, EUA e União Europeia
De acordo com o “Cenário de Transição Econômica” da BNEF, que considera a continuidade da queda nos custos das tecnologias limpas e a ausência de novas políticas climáticas de grande impacto, a China consolida sua posição como principal exportadora global de produtos de tecnologia limpa.
Segundo a análise, a rápida expansão das exportações de veículos elétricos e baterias, somada ao avanço da eletrificação doméstica, deve transformar o déficit comercial chinês de US$ 266 bilhões em produtos energéticos, registrado em 2024, em superávit até o final da década de 2030.
No caso dos Estados Unidos, o levantamento indica que o país ainda figura como importador líquido dos produtos analisados, embora em menor escala, apoiado pelas expressivas exportações de petróleo e gás.
Com a transição energética, no entanto, as exportações americanas de combustíveis fósseis tendem a se estabilizar e, posteriormente, a diminuir gradualmente, enquanto as importações de tecnologias limpas avançam. Como resultado, a balança comercial de energia dos EUA deve permanecer negativa ao longo do período, girando em torno de US$ 130 bilhões até 2050.
Já a União Europeia deverá reduzir seu déficit comercial relacionado à energia em 29% até 2035, principalmente em função da queda nas importações de petróleo bruto e do aumento das exportações de veículos elétricos. Ainda assim, a concorrência com a China pelos mercados globais de mobilidade elétrica tende a seguir intensa.
Comércio de combustíveis fósseis entra em declínio estrutural
Outra conclusão do estudo é que o comércio global de combustíveis fósseis, atualmente sustentado majoritariamente pelo petróleo bruto e seus derivados, deve permanecer estável em torno de US$ 3 trilhões até 2030. A partir daí, a tendência é de declínio prolongado até 2050.
O Cenário de Transição Econômica aponta ainda que, embora o comércio de gás natural apresente crescimento no período, ele não compensa, em termos monetários, a redução da demanda por petróleo.
Mesmo com a retração projetada, os combustíveis fósseis continuam representando mais da metade dos fluxos globais relacionados à energia durante boa parte do horizonte analisado.
No Cenário Net Zero da BNEF, que considera a implementação de políticas capazes de levar o mundo a emissões líquidas zero até 2050, o comércio global de combustíveis fósseis cai para menos de US$ 1 trilhão até 2040.
Comércio de veículos elétricos e baterias mais que triplica
O valor do comércio global de veículos elétricos e baterias deve atingir US$ 880 bilhões em 2035, frente aos US$ 234 bilhões registrados em 2024, o que representa mais do que o triplo do mercado em pouco mais de dez anos.
Esse avanço ocorre no cenário central da BNEF, que parte do pressuposto de que os custos das tecnologias limpas continuarão caindo no mesmo ritmo observado nos últimos anos e de que não serão implementadas novas políticas climáticas relevantes por parte dos governos ao longo do período analisado.
Ainda de acordo com a consultoria, com a crescente adoção de veículos elétricos, o comércio de veículos com motor de combustão interna deve cair para US$ 340 bilhões em 2035, uma retração de 39% em relação aos níveis de 2024.
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