As projeções climáticas indicam que o segundo semestre deve ser marcado por temperaturas acima da média, com possibilidade de formação de um El Niño no fim de 2026 – fenômeno associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico e com reflexos diretos sobre o regime de chuvas e as temperaturas no Brasil.
Na avaliação de Desirée Brandt, sócia-executiva e meteorologista da Nottus, mesmo que o El Niño não se consolide de forma clássica, o aquecimento do oceano tende a ser suficiente para alterar o padrão climático observado no ano passado, com impactos relevantes sobre a atividade econômica.
O ano começou sob influência de uma La Niña em enfraquecimento, com tendência de neutralidade nos próximos meses e elevação gradual da temperatura do Pacífico a partir do meio do ano.
Para o próximo trimestre, a previsão aponta redução gradual das chuvas na região central do país, movimento típico da transição para o outono. No Sul, a precipitação deve ganhar frequência a partir do fim de março e ao longo de abril, sem indicação, até o momento, de volumes extraordinários.
A partir do segundo semestre, porém, o avanço do aquecimento no Pacífico eleva o risco de irregularidade das chuvas no Brasil central e de episódios de calor intenso.
Em dias mais quentes, o consumo de eletricidade tende a crescer de forma expressiva, impulsionado pelo uso de sistemas de climatização, o que pressiona a operação do sistema – especialmente nos horários de ponta, quando a flexibilidade operativa é mais limitada.
Em paralelo, aumenta a probabilidade de eventos severos, sobretudo no Sul. Chuvas intensas em curto intervalo de tempo, vendavais e tempestades podem causar danos à infraestrutura urbana e às redes elétricas.
“Para o setor elétrico, a combinação de estiagem e eventos extremos amplia a complexidade da operação, pressiona os reservatórios e exige gestão de riscos mais rigorosa nas redes”, afirma a meteorologista.
Os episódios recentes reforçam o alerta. No fim de 2025, tornados no Paraná e em Santa Catarina provocaram destruição de infraestrutura elétrica.
Em dezembro, uma tempestade de granizo atingiu Erechim (RS), enquanto um ciclone extratropical causou vendavais no Sul, Sudeste e em Mato Grosso do Sul, com rajadas que chegaram a 105 km/h no Pico do Couto (RJ) e a 96 km/h na região do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, segundo o INMET.
Na capital paulista, o ciclone deixou 4,4 milhões de pessoas sem energia em 10 de dezembro, de acordo com a concessionária Enel São Paulo. Em alguns casos, o restabelecimento do fornecimento levou cerca de 50 horas após o apagão.
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