O setor elétrico brasileiro segue entre os mais relevantes da América Latina. Em 1º de janeiro de 2026, o país ultrapassou 217 GW de capacidade instalada em usinas centralizadas, segundo dados do SIGA (Sistema de Informações de Geração da ANEEL).
Desse total, 84,63% da potência instalada provêm de fontes renováveis, com forte presença de hidrelétricas, eólicas, solares e biomassa, reforçando o protagonismo do Brasil na transição energética.
Em 2025, o país adicionou 7,403 GW de nova capacidade, com a entrada em operação de 136 novas usinas. Para 2026, a projeção é de 9,142 MW adicionais, o que representa um crescimento de 23,4% em relação ao ano anterior.
O que é o SIN (Sistema Interligado Nacional)
O SIN (Sistema Interligado Nacional) é a grande rede que conecta praticamente toda a geração e o consumo de energia elétrica do Brasil. Ele integra usinas, linhas de transmissão e centros de carga das cinco regiões do país, permitindo que a energia produzida em um local seja consumida em outro, de forma coordenada.
Mais de 99% da carga elétrica nacional está conectada ao SIN. Apenas alguns sistemas isolados, principalmente em áreas remotas da Região Norte, operam fora dessa estrutura.
Como o SIN funciona na prática
- A energia é gerada por diferentes fontes (hidrelétricas, eólicas, solares, térmicas e biomassa);
- Essa energia entra nas linhas de transmissão em alta tensão;
- O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) coordena, em tempo real, quais usinas devem gerar, quanto gerar e por onde a energia deve fluir;
- O objetivo é garantir segurança do fornecimento, menor custo global e equilíbrio entre oferta e demanda.
Graças ao SIN, o Brasil consegue compensar períodos de seca em uma região com maior geração em outra, reduzindo riscos de apagões e otimizando o uso dos reservatórios.
Organograma do setor elétrico brasileiro
O setor elétrico do Brasil é estruturado em níveis bem definidos, que se complementam e garantem equilíbrio entre decisões políticas, regulação técnica e operação eficiente.
Nível político e diretrizes
É onde são definidas as estratégias e as grandes decisões do setor.
- CNPE (Conselho Nacional de Política Energética)
Órgão de assessoramento direto da Presidência da República. Formula as diretrizes estratégicas para a matriz energética nacional. - MME (Ministério de Minas e Energia)
É o principal órgão do governo federal para o setor elétrico. Responsável por implementar políticas públicas, garantir a segurança energética e conceder outorgas para novos empreendimentos.
Nível de planejamento e monitoramento
Responsável por estudar o futuro do setor e acompanhar a segurança do suprimento.
- EPE (Empresa de Pesquisa Energética)
Vinculada ao MME, realiza estudos técnicos e projeções, como o Plano Nacional de Energia, que orientam a expansão da geração e da transmissão. - CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico)
Acompanha continuamente a segurança do abastecimento de energia no país, avaliando riscos e propondo medidas preventivas.
Nível de regulação e fiscalização
Garante que as regras sejam cumpridas.
- ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica)
Autarquia responsável por regular e fiscalizar o setor elétrico. Define tarifas, estabelece padrões de qualidade, aplica penalidades e media conflitos entre empresas e consumidores.
Nível de operação e mercado
Onde ocorre o gerenciamento físico e comercial da energia.
- ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico)
Coordena a operação do SIN em tempo real. Decide quais usinas geram, controla a transmissão e garante a segurança do sistema elétrico. - CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica)
Administra o mercado de energia. É responsável pela contabilização e liquidação financeira das operações, tanto no mercado regulado (consumidores cativos) quanto no mercado livre.
Os agentes do setor elétrico
Na base do organograma estão as empresas que executam os serviços físicos:
- Geração (G) – Produz a energia elétrica.
- Transmissão (T) – Transporta a energia em alta tensão, ligando usinas aos centros de consumo.
- Distribuição (D) – Entrega a energia ao consumidor final, reduzindo a tensão e realizando a cobrança.
- Comercialização (C) – Compra e vende energia, com foco no mercado livre.
Expansão da geração em 2025
Em 2025, a expansão da geração ocorreu principalmente em fontes renováveis:
- 63 centrais solares fotovoltaicas – 2.815,84 MW
- 43 parques eólicos – 1.825,90 MW
- 15 termelétricas – 2.505,77 MW
- 11 pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) – 199,34 MW
- 1 usina hidrelétrica – 50 MW
- 3 centrais geradoras hidrelétricas – 6,7 MW
As novas usinas entraram em operação em 17 estados, com destaque para Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais.
Fontes predominantes e avanços tecnológicos
A matriz elétrica brasileira mantém forte predominância de fontes renováveis, com crescimento acelerado de solar e eólica, o que diversifica a geração e reduz a dependência hídrica.
A operação das usinas e do SIN é cada vez mais apoiada por sistemas digitais, medição inteligente e monitoramento em tempo real, aumentando a eficiência e a confiabilidade do fornecimento.
Desafios e oportunidades
Dependência hidrelétrica
A elevada participação das hidrelétricas exige estratégias para lidar com períodos de seca prolongada.
Expansão da transmissão
A integração de novas usinas renováveis demanda investimentos contínuos em linhas e subestações.
Inovação e armazenamento
Tecnologias como baterias, redes inteligentes e geração distribuída são fundamentais para o futuro do setor.
Conclusão
Em 2026, o setor elétrico brasileiro apresenta uma estrutura robusta, organizada e em expansão, com 215,9 GW de capacidade instalada, dos quais 84,63% são de fontes renováveis.
A atuação integrada de órgãos como CNPE, MME, EPE, ANEEL, ONS e CCEE, aliada ao funcionamento do SIN, garante segurança energética, previsibilidade e condições para a expansão sustentável da matriz elétrica, mesmo diante de desafios climáticos e de infraestrutura.
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