O México possui um setor elétrico com forte presença estatal, mas que vem passando por reformas para permitir maior participação privada e expansão das energias renováveis. Nos últimos anos, o país buscou equilibrar segurança de fornecimento, crescimento de fontes limpas e investimentos em infraestrutura elétrica.
Sistema historicamente centralizado
Historicamente, a geração, transmissão e distribuição de energia no México foram controladas por empresas estatais, especialmente a CFE (Comisión Federal de Electricidad). Esse modelo centralizado permitia coordenação uniforme, mas limitava a competição e a entrada de investidores privados.
Nos últimos anos, reformas abriram o mercado a empresas privadas na geração, permitindo projetos de energia solar, eólica e hidrelétrica em larga escala, enquanto a transmissão e distribuição permanecem fortemente reguladas.
Matriz em transformação
O México possui uma matriz elétrica diversificada:
- Usinas hidrelétricas tradicionais;
- Termelétricas a gás natural e carvão;
- Geração renovável em rápido crescimento, principalmente solar e eólica.
A abundância de radiação solar em regiões como o deserto de Sonora e o potencial eólico do Istmo de Tehuantepec colocam o México entre os líderes latino-americanos em geração limpa.
Geração competitiva e contratos privados
A geração de energia privada no México é realizada majoritariamente por meio de leilões e contratos de longo prazo. Empresas privadas competem no mercado regulado, enquanto a CFE mantém papel central na operação do sistema e fornecimento a consumidores regulados.
O papel da CFE e do Cenace
A operação do sistema elétrico e coordenação de mercado ficam a cargo do Cenace (Centro Nacional de Control de Energía), responsável por:
- Despacho das usinas;
- Garantir segurança e continuidade do fornecimento;
- Administrar o mercado de curto prazo;
- Planejar a expansão do sistema.
A Cenace atua como operador técnico independente, embora o governo mantenha forte influência regulatória.
Transmissão e distribuição reguladas
A transmissão elétrica é controlada pela CFE, com investimentos públicos e privados em linhas de alta tensão. A distribuição também é regulada, atendendo consumidores regulados e livres, permitindo que grandes consumidores negociem contratos diretos de fornecimento.
Regulação e política energética
O setor elétrico mexicano é regulado por órgãos como a SENER (Secretaría de Energía) e a CRE (Comisión Reguladora de Energía), que definem políticas de expansão, tarifas e regras de operação. Reformas recentes têm buscado aumentar a participação de renováveis e eficiência do sistema, embora questões de centralização ainda persistam.
Formação de preços e tarifas
As tarifas de energia refletem custos de geração, transmissão e distribuição, com variações entre consumidores regulados e livres. Contratos privados garantem previsibilidade de receita para investidores e incentivam expansão de energias renováveis.
Desafios e perspectivas
Apesar do crescimento das renováveis, o setor elétrico mexicano enfrenta desafios como:
- Garantir equilíbrio entre geração estatal e privada;
- Expandir e modernizar a rede de transmissão;
- Integrar armazenamento e fontes intermitentes;
- Manter confiabilidade frente à crescente demanda.
O México avança lentamente na transição para uma matriz mais limpa e competitiva, tentando conciliar política energética centralizada e expansão das energias renováveis.
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