A conta de luz residencial terá peso relevante na inflação brasileira em 2026. Segundo projeções da TR Soluções, as tarifas de energia elétrica deverão pressionar o índice em cerca de 0,40 p.p (ponto percentual) ao longo do ano.
Considerando a inflação projetada de 4,36% para o período, segundo o Boletim Focus, o impacto da conta de luz tende a representar uma fatia significativa da alta geral de preços, mesmo sendo apenas um dos mais de 400 itens que compõem o IPCA – índice que reúne desde alimentos e transportes até serviços e despesas domésticas.
Segundo a TR Soluções, as tarifas residenciais devem ficar, em média, em 11% mais caras para consumidores neste ano, impulsionada principalmente pelo aumento nos custos de compra de energia e nas tarifas de uso dos sistemas de transmissão.
As estimativas consideram apenas os reajustes tarifários e não incluem eventuais acionamentos de bandeiras tarifárias ao longo do ano, conforme explica o diretor de regulação da TR Soluções, Helder Sousa.
“Caso o sistema elétrico enfrente um cenário de estresse hídrico que exija o acionamento das bandeiras, a pressão inflacionária da energia sobre o índice final (inflação) poderá ser maior”, disse ele.
A projeção também incorpora o início do fornecimento, a partir de agosto, das usinas contratadas no LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade), que somam mais de 2 GW. O impacto desses empreendimentos deve começar a aparecer nos processos tarifários a partir de maio.
Para as distribuidoras que passaram por eventos tarifários no primeiro quadrimestre, no entanto, os efeitos dessas usinas só deverão ser percebidos nas tarifas a partir de 2027.
Por outro lado, há vetores de alívio: o custo do serviço de distribuição deve crescer abaixo da inflação, enquanto os encargos associados aos subsídios à GD (geração distribuída) tendem a socializar as despesas.
Isso ocorre porque a Lei nº 15.269/2025 passou a incluir os consumidores livres no rateio desses custos, antes concentrados majoritariamente no mercado cativo.
Adicionalmente, o encerramento do suprimento da maior parte dos contratos firmados no leilão emergencial de 2021, realizado durante a crise hídrica, também tende a contribuir para reduzir as pressões tarifárias.
Ainda no campo dos encargos, os consumidores livres passarão a participar do rateio dos custos das usinas nucleares de Angra 1 e 2, conforme previsto na Lei nº 15.235/2025. De acordo com a TR Soluções, esse fator deve representar um acréscimo de cerca de R$ 10/MWh.
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