As perdas acumuladas de energia por restrições operativas no SIN (Sistema Interligado Nacional) – conhecidas no setor como curtailment – já se aproximam de 50 milhões de MWh, segundo levantamento da ePowerBay.
Esse volume seria suficiente para abastecer cerca de 26 milhões de residências brasileiras durante um ano. A estimativa considera o consumo médio residencial no país, que gira em torno de 160 kWh por mês, segundo dados da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).
De acordo com a ePowerBay, somente em janeiro de 2026 as perdas somaram 2,86 milhões de MWh, volume 45% superior ao registrado em dezembro, quando os cortes foram da ordem de 1,96 milhões de MWh. No primeiro mês do ano, a maior parcela das restrições ocorreu por CNF (constrained-off), que totalizaram mais de 1,26 milhões de MWh, correspondendo a 44,1% do total.
Esse tipo de corte ocorre quando o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) limita a geração de usinas por razões operativas ou de segurança do sistema, geralmente associadas a gargalos na rede de transmissão ou à necessidade de equilíbrio entre oferta e demanda de energia.
As perdas classificadas como ENE (energia não escoada) representaram 31,6% das restrições registradas no mês. Nesse caso, o curtailment ocorre quando a energia gerada não consegue ser transportada até os centros de consumo devido à falta de capacidade disponível na rede de transmissão, obrigando o operador a reduzir a geração das usinas.
Já as restrições associadas à REL (restrição elétrica) responderam por 24,3% das perdas em janeiro. Esse tipo de corte está ligado a limitações elétricas do sistema, como manutenção de equipamentos, indisponibilidade de linhas ou condições operativas específicas da rede. Diferentemente de outros tipos de restrição, os cortes classificados como REL são ressarcidos aos geradores por meio do ESS (Encargos de Serviços do Sistema).
No acumulado histórico, a principal causa de restrição continua sendo ENE, que soma 22,8 milhões de MWh (47%), seguida por CNF, com 19,5 milhões de MWh (40%), e por REL, que totaliza 6,3 milhões de MWh (13%).
Confira o estudo completo da ePowerBay, clicando aqui.
Curtailment e inversão de fluxo fizeram mercado solar brasileiro retrair 29% em 2025
Todo o conteúdo do Canal Solar é resguardado pela lei de direitos autorais, e fica expressamente proibida a reprodução parcial ou total deste site em qualquer meio. Caso tenha interesse em colaborar ou reutilizar parte do nosso material, solicitamos que entre em contato através do e-mail: redacao@canalsolar.com.br.