O empilhamento de receitas com sistemas de armazenamento de energia em baterias, os BESS, deixou de ser uma tendência para se tornar um dos pilares da viabilidade econômica desses projetos. Em um cenário de tarifas voláteis, redes cada vez mais estressadas e consumidores buscando previsibilidade de custos, a possibilidade de extrair múltiplos valores de um único ativo é extremamente atraente. Time-shifting, peak shaving, backup, qualidade de energia, suporte à microrrede, controle de frequência e tensão são apenas algumas das aplicações possíveis.
Os benefícios do empilhamento são claros. Ele melhora o aproveitamento do ativo ao longo do dia, aumenta a taxa de utilização da bateria, dilui o investimento inicial em mais frentes de retorno e cria resiliência financeira para o projeto. Um BESS que opera apenas em uma função tende a ter janelas ociosas. Quando bem dimensionado, o empilhamento permite transformar essas janelas em oportunidades de geração de valor.
Além disso, o empilhamento reduz a dependência de uma única fonte de receita. Se a economia na ponta diminui ao longo do tempo ou se o perfil tarifário muda, o sistema ainda pode gerar valor por meio de outras aplicações, como mitigação de picos de demanda, melhoria da qualidade de energia ou suporte operacional em momentos críticos da rede. Do ponto de vista de negócio, isso torna o investimento mais robusto e menos vulnerável a mudanças regulatórias ou de mercado.
No entanto, toda essa flexibilidade só se materializa quando o projeto parte de bases sólidas. Um dos pontos mais sensíveis é o backup. Embora seja frequentemente tratado como um diferencial, ele só faz sentido econômico quando o cliente conhece suas perdas reais associadas à falta de energia. Sem quantificar impactos como parada de produção, perdas de processo ou multas contratuais, não é possível avaliar corretamente o retorno do investimento.
Outro aspecto relevante é que o backup raramente vem sozinho. Para atender cargas críticas com tempos de comutação reduzidos, muitas vezes são necessários equipamentos adicionais, como chaves STS. Isso aumenta o custo, adiciona complexidade ao sistema e pode alterar completamente o payback do projeto. Por isso, o backup precisa ser uma decisão consciente, e não um item automático no escopo.
Do ponto de vista técnico, o maior erro no empilhamento de receitas é ignorar os limites do sistema. Um BESS dimensionado para uma função específica pode não ter margem para absorver outras aplicações. Um exemplo prático ajuda a ilustrar. Considere um sistema projetado para time-shifting com 270 kWh por dia, operando durante 22 dias, totalizando 5.940 kWh por mês deslocados da ponta. Se o consumo mensal do cliente é de 5.800 kWh, ou cerca de 264 kWh por dia, o sistema já opera muito próximo do limite.
Nesse cenário, qualquer tentativa de adicionar peak shaving, backup ou suporte à microrede precisa ser analisada com extremo cuidado. Soma-se a isso a degradação natural da bateria ao longo dos anos, que reduz a capacidade disponível. Após alguns ciclos de vida, aquele BESS pode já não entregar a energia necessária nem mesmo para a função original. Empilhar receitas sem margem energética e sem considerar o envelhecimento ativo é comprometer a operação futura.
Quando bem feito, porém, o empilhamento transforma o BESS em um ativo estratégico. O cliente pode iniciar o projeto com foco em economia na ponta, mas passa a contar com um sistema que melhora a qualidade de energia, reduz distorções, controla potência reativa, estabiliza tensão e frequência e aumenta a confiabilidade do fornecimento. Em ambientes industriais e comerciais sensíveis, esses benefícios operacionais muitas vezes são tão valiosos quanto a economia direta na fatura.
Por isso, a venda de BESS é, acima de tudo, consultiva. Cada cliente tem um perfil de carga único, um histórico específico de falhas, um apetite diferente ao risco e objetivos financeiros próprios. Não existe solução de prateleira. Prometer empilhamento de receitas de forma genérica, apenas para reduzir artificialmente o payback, pode gerar frustração e problemas operacionais no médio prazo.
Empilhamento de receitas não é sobre quantas funções o BESS pode executar, mas sobre quais funções ele consegue sustentar ao longo do tempo, com segurança técnica, retorno econômico real e previsibilidade operacional. É uma combinação de engenharia bem feita, análise financeira realista e entendimento profundo do negócio do cliente.
É nesse ponto que a experiência faz diferença. A Canadian Solar, com sua atuação global em sistemas de armazenamento e um portfólio consolidado em BESS, combina tecnologia madura com um time de engenharia altamente especializado. Mais do que fornecer equipamentos, a empresa atua de forma próxima ao cliente, literalmente pegando na mão, ajudando a entender o perfil de consumo, as limitações do sistema e as reais oportunidades de empilhamento de receitas.
Com uma abordagem consultiva e engenharia robusta, a Canadian Solar apoia o cliente desde a concepção até a operação, garantindo que o BESS seja dimensionado corretamente, que as funções empilhadas fazem sentido técnico e econômico e que o projeto entregue valor real ao longo de toda a vida útil. Em um mercado que amadurece rapidamente, essa combinação de expertise, transparência e proximidade é o que separa promessas de resultados concretos.
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