Os Estados Unidos intensificaram sua estratégia de cooperação com países da América Latina para garantir o fornecimento de minerais críticos usados em baterias, veículos elétricos, semicondutores e tecnologias de energia limpa.
A iniciativa é coordenada principalmente pela associação transnacional MSP (Mineral Security Partnership) e pela aliança socioeconômica U.S.-Latin America Partnership for Critical Minerals. A política não opera como um bloco econômico formal, mas como uma rede de acordos bilaterais e multilaterais voltados à segurança de cadeias produtivas.
Chile mantém papel central no fornecimento de lítio
O Chile é considerado parceiro estratégico devido ao seu Tratado de Livre Comércio com os EUA. Essa condição permite que o lítio chileno seja elegível para incentivos fiscais previstos na Inflation Reduction Act, lei aprovada em 2022 que representa o maior investimento da história do país em clima e energia limpa, estimado em cerca de US$ 369 bilhões.
O país concentra parte relevante da oferta global de lítio e cobre, insumos essenciais para a indústria de baterias e para a transição energética. Empresas norte-americanas têm ampliado contratos de fornecimento e acordos de longo prazo com produtores locais.
Argentina recebe financiamento para expandir extração
Sem acordo comercial formal com Washington, a Argentina tem atraído investimentos por meio da DFC, a agência de financiamento ao desenvolvimento do governo norte-americano.
Projetos nas províncias de Salta e Catamarca receberam apoio financeiro para ampliar a produção de lítio no chamado “Triângulo do Lítio”, região compartilhada com Chile e Bolívia. O objetivo é garantir insumos para montadoras e fabricantes de baterias sediados nos Estados Unidos.
Brasil amplia relevância com terras raras e nióbio
O Brasil aparece como parceiro estratégico diversificado, com reservas de terras raras, nióbio, grafite e níquel. Esses minerais são usados na produção de ímãs permanentes, componentes eletrônicos e baterias de alta performance.
Empresas com operações no estado de Goiás têm recebido investimentos para desenvolver cadeias produtivas voltadas à fabricação de insumos estratégicos fora do eixo asiático, ampliando a integração com a indústria norte-americana.
Peru integra agenda com foco em cobre
Tradicional produtor de cobre, o Peru foi incorporado aos diálogos de segurança mineral com foco na ampliação de projetos alinhados a padrões ambientais, sociais e de governança (ESG). O cobre é considerado essencial para redes elétricas, infraestrutura e eletrificação.
México ocupa posição industrial estratégica
O México integra o USMCA, o tratado de livre comércio entre Estados Unidos, México e Canadá, e atua como principal polo de manufatura na América do Norte.
Apesar da nacionalização do lítio pelo governo mexicano, a cooperação bilateral permanece ativa na integração de cadeias de suprimento de grafite e no processamento mineral voltado à indústria automotiva dos estados norte-americanos do Michigan e Texas.
Estratégia busca diversificação de fornecimento
A política norte-americana prioriza financiamento estruturado e padrões de governança considerados transparentes como alternativa ao capital asiático, que hoje concentra grande parte do processamento global de lítio.
A movimentação ocorre em meio à crescente demanda por minerais críticos impulsionada pela transição energética, eletrificação automotiva e expansão da indústria de semicondutores, setores considerados estratégicos para competitividade industrial e segurança econômica.
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