Falta menos de um mês para que módulos fotovoltaicos e baterias subam de preço no Brasil e em diversos mercados internacionais. A alta, no entanto, não começa em abril: ela já está em curso desde o fim do ano passado e deve ganhar força com uma mudança na política fiscal chinesa que já vem sendo anunciada, inclusive pelo Canal Solar.
Isso porque, a partir de 1º de abril, a China cancelará o reembolso do VAT (Value-Added Tax), incentivo fiscal concedido às exportações. Até então, determinados produtos da cadeia fotovoltaica contavam com devolução de até 9% do imposto, um mecanismo que ajudava fabricantes chineses a reduzir o preço final desses equipamentos no mercado internacional.
Com isso, o incentivo será totalmente extinto para os módulos fotovoltaicos a partir de 1º de abril de 2026. No caso das baterias, haverá uma transição: o reembolso será reduzido de 9% para 6% entre abril e dezembro de 2026 e, posteriormente, eliminado em 1º de janeiro de 2027.
Na prática, os fabricantes deixarão de receber esse crédito fiscal, custo que tende a ser incorporado aos preços de exportação. A medida afeta diretamente mercados altamente dependentes de importações, como o Brasil – onde mais de 90% dos equipamentos utilizados no setor solar são fabricados na China.
Governo chinês cancela subsídio para módulos e baterias, com impacto no mercado brasileiro
Alta já começou por outros motivos, mas abril deve intensificar movimento
O Canal Solar conversou com Kleber Pinho, CEO da Sou Energy, e Sergio Polesso, sócio-proprietário da PHB Solar, para entender o cenário atual. Segundo os executivos, o mercado solar brasileiro já vem enfrentando reajustes sucessivos desde o fim de 2025, impulsionados principalmente pelo aumento no custo de insumos, com destaque para a prata.
Nesse contexto, o fim do incentivo fiscal chinês é apenas mais um componente dentro de um ciclo mais amplo de recomposição de preços. Segundo eles, novos reajustes estão previstos para março, relacionados à continuidade da alta de matérias-primas e à recomposição de margens por parte dos fabricantes.
Em relação ao VAT, os efeitos devem ser sentidos na sequência. “O cenário aponta para uma nova percepção de aumentos ao longo do mês de março, com intensificação em abril”, explica Pinho.
Polesso destaca que, nos últimos três meses, o preço dos módulos fotovoltaicos já acumulam alta próxima de 35%. “Estou falando apenas de módulo. O impacto final no kit é menor, mas abril deve adicionar uma nova camada de pressão”, afirma ele, referindo-se ao fim do reembolso do VAT para fabricantes chineses.
Segundo os executivos, a partir de abril o mercado irá registrar novo reajuste nos kits solares, combinando a continuidade da elevação de preço dos insumos e o impacto do incentivo fiscal chinês extinto.
“Sem contar o VAT, o aumento esperado gira em torno de 30% no kit. Somando o fim dos 9% do incentivo, que devem virar um aumento próximo de 5%, podemos falar em um reajuste total próximo de 35% no preço do kit solar”, comentou.
Energia solar segue competitiva
Mesmo com o movimento de alta, os executivos ressaltam que a competitividade da energia solar não está comprometida. “A energia solar seguirá sendo uma excelente alternativa tanto para quem deseja reduzir despesas com energia quanto para quem busca oportunidades de investimento”, destaca Pinho.
Polesso lembra que, historicamente, os preços continuam em patamar inferior ao período pré-pandemia. “Antes da pandemia, um Watt de kit variava entre R$ 3,20 e R$ 3,50. Chegamos a R$ 0,90 no período mais baixo. Hoje, está entre R$ 1,30 e R$ 1,40. Podemos chegar a R$ 1,70 ou R$ 1,80 neste ano”.
Para ele, o payback permanece atrativo. “Lá atrás era quatro anos, caiu para dois e pode voltar para dois anos e meio ou três. Continua valendo a pena apostar 100% em energia solar”, finaliza o executivo.
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