Grandes geradoras de energia renovável estão enxugando operações no Brasil e promovendo demissões diante da deterioração das condições do setor. O movimento ocorre em meio aos cortes de geração impostos às usinas eólicas e solares (conhecidos como curtailment), segundo à Reuters.
Entre as companhias que decidiram ajustar suas operações no país estão a Atlas Renewable Energy, a Newave Energia e a Voltalia. As empresas não divulgam números exatos de demissões, mas admitem que estão redimensionando suas estruturas com foco na sustentabilidade dos negócios.
Nas usinas da Atlas, as perdas de receita decorrentes dos cortes chegam a cerca de 25%, nível muito superior ao previsto à época da estruturação dos projetos, afirmou Manoel de Andrade, vice-presidente de assuntos regulatórios e desenvolvimento da empresa.
“É devastador… Você se prepara para fornecer um volume de energia, todo o seu plano de negócio está estruturado em cima desse volume, e você não consegue entregar. E pior, ainda tem que buscar uma forma de atender seus clientes”, disse à Reuters.
Segundo o executivo, em outros países onde a empresa também enfrenta limitações, como o Chile, já é possível mitigar o problema com armazenamento de energia ou por meio de uma dinâmica de mercado que permite a compra de energia adicional a preços baixos ou próximos de zero para honrar contratos.
Com cerca de 3 GW de capacidade solar no Brasil, a Atlas afirmou não enxergar condições para estruturar financeiramente novos empreendimentos no cenário atual.
Já a Newave informou que a redução de investimentos da companhia no Brasil está sendo conduzida de maneira criteriosa. Neste mês, a empresa inaugurou o segundo grande empreendimento de seu portfólio: um complexo solar em Goiás, com investimento de R$ 1,3 bilhão.
A companhia destacou que seus ativos estão localizados no submercado Sudeste, que historicamente apresenta menor incidência de cortes de geração, contribuindo para maior estabilidade operacional.
Já a Voltalia anunciou, no início do mês, um plano global de transformação que prevê a redução de cerca de 10% de sua força de trabalho nos países em que atua, incluindo o Brasil.
A empresa afirmou à Reuters que o país segue como mercado estratégico, concentrando atualmente 46% da capacidade de geração em operação e em construção do grupo. No entanto, ressaltou que novos investimentos dependerão de maior previsibilidade regulatória e de condições que garantam retornos adequados no longo prazo.
O que diz o Governo Federal?
Procurado, o MME (Ministério de Minas e Energia) informou que algumas soluções estruturais já estão em implementação, como a ampliação da infraestrutura de transmissão, e que outras medidas estão em estudo, incluindo leilões para inserção de sistemas de armazenamento por baterias e a modernização das tarifas de energia.
Com informações da Reuters
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