O MME (Ministério de Minas e Energia) iniciou tratativas com o governo de Goiás para acelerar medidas voltadas ao reforço do suprimento elétrico e à garantia de segurança energética no estado, diante da crescente demanda por carga e das limitações estruturais ainda existentes na rede.
A iniciativa envolve a avaliação de obras de transmissão e distribuição, além de ações para destravar projetos produtivos que dependem de maior oferta de energia, especialmente no agronegócio e na indústria.
O movimento ocorre em um contexto de atenção especial ao sistema elétrico goiano, considerado estratégico para o crescimento econômico do Centro-Oeste, e reflete a preocupação do governo federal em evitar gargalos que possam comprometer investimentos e expansão da produção.
Reunião
As discussões foram formalizadas em reunião realizada em Brasília entre o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o vice-governador de Goiás, Daniel Vilela, com participação de técnicos do ministério e representantes políticos do estado.
O encontro teve como foco a viabilização de projetos estruturantes capazes de ampliar a capacidade do sistema elétrico e atender à demanda reprimida por conexão.
Durante a reunião, o ministro destacou o peso estratégico de Goiás para a economia nacional, sobretudo pela relevância da produção agrícola, e afirmou que o fortalecimento da rede elétrica é condição essencial para sustentar o crescimento regional.
Entre as medidas analisadas está a inclusão de novas obras no planejamento do setor elétrico, com previsão de licitação ainda no leilão de transmissão programado para outubro de 2026.
Também foram discutidos estudos para futuras expansões em regiões agrícolas que apresentam crescimento acelerado da demanda, com possibilidade de novos projetos a partir de 2027.
Histórico de conflitos
O acompanhamento mais próximo do governo federal em relação ao sistema elétrico de Goiás é um ponto sensível e está ligado ao histórico de conflitos envolvendo a concessão de distribuição no estado.
A crise se intensificou após a privatização da Celg-D, adquirida pela Enel em 2016, quando a concessionária herdou uma rede considerada degradada e passou a enfrentar forte pressão política e econômica para melhorar os indicadores de qualidade.
Nos anos seguintes, a relação entre a empresa e o governo estadual se deteriorou, com cobranças públicas por investimentos, aplicação de multas e até pedidos de cassação da concessão.
O setor produtivo, especialmente o agronegócio e a indústria, também passou a pressionar por maior capacidade de atendimento, alegando que a falta de infraestrutura elétrica dificultava a instalação e a expansão de projetos no estado.
O impasse terminou em 2022, quando a Enel vendeu o controle da distribuidora para a Equatorial Energia, após sucessivas críticas e desgaste institucional. A mudança foi vista como uma tentativa de reconstruir o sistema e recuperar a confiança de consumidores e investidores.
Ranking ainda preocupa
Desde que assumiu a concessão, em 2023, a Equatorial Goiás realizou investimentos bilionários em subestações, redes e reforços no atendimento rural, o que resultou em melhora nos indicadores técnicos de continuidade do serviço.
Dados recentes mostram redução na duração e na frequência das interrupções, além do cumprimento das metas regulatórias estabelecidas para o ciclo mais recente.
Apesar da evolução operacional, o desempenho da distribuidora ainda aparece entre os piores do país em comparações feitas pela Aneel.
Mesmo com avanços internos, outras concessionárias também melhoraram seus resultados, mantendo a empresa goiana nas últimas posições do ranking de qualidade entre distribuidoras de grande porte.
Esse contraste entre melhora técnica e posição desfavorável no ranking ajuda a explicar a cautela do governo federal em relação ao estado. A necessidade de ampliar a infraestrutura elétrica, reduzir gargalos e garantir confiabilidade ao sistema tornou-se tema recorrente nas discussões entre Brasília e o governo goiano.
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