A mineradora de ouro Monte Cristo, localizada em Nossa Senhora do Livramento, na Baixada Cuiabana, no Mato Grosso, passará a contar com uma usina solar integrada a um sistema de armazenamento de energia em baterias.
A operação da empresa envolve a extração de ouro a partir da moagem e do refino do material rochoso até a separação do metal. O projeto será realizado pela GreenYellow, multinacional francesa especializada em descarbonização e eficiência energética.
A iniciativa combina energia solar e baterias (BESS), que serão operadas em microgrid, em conjunto com geradores a diesel já existentes. O sistema fotovoltaico terá geração estimada de 4,74 GWh por ano e a energia será utilizada para suprir parte da demanda da operação, carregar o sistema de armazenamento e reduzir o consumo de diesel na unidade.
Segundo a GreenYellow, com capacidade instalada de 3 MWp, a usina solar será responsável por parte relevante do abastecimento energético da operação, enquanto o sistema de armazenamento terá capacidade de 5 MWh.
A entrada em operação do sistema está prevista para dezembro de 2026. O projeto segue o modelo EaaS (Energy as a Service) da GreenYellow, que dispensa CAPEX inicial, que garante performance e permite que o cliente comece a pagar apenas após o início da operação do ativo.
O investimento envolve R$ 18 milhões para gerar uma economia aproximada de R$ 165 mil por mês para a mineradora. Além disso, o projeto deve evitar a emissão de entre 50 e 106 toneladas de CO₂, dependendo da necessidade de utilização do diesel como fonte de backup.
De acordo com a GreenYellow, o processo industrial é intensivo em energia e enfrenta desafios relacionados à infraestrutura elétrica da região, como interrupções frequentes no fornecimento, oscilações de tensão e limitações para aumento da demanda contratada.
“Com a automação através de um sistema robusto com EMS [Energy Management System] prevista para o projeto, é possível monitorar e controlar toda a energia gerada e consumida em tempo real, garantindo maior eficiência operacional, integração de fontes renováveis, redução de perdas e custos, e maior resiliência frente a falhas ou interrupções no fornecimento”, destacou Giovani Milani, Head Comercial de BESS da GreenYellow,
Milani ainda acrescenta que a solução foi desenvolvida para reduzir a dependência da rede elétrica e otimizar o consumo energético da operação.
“Desenvolvemos uma solução para reduzir parcialmente o consumo de diesel no local e diminuir a dependência da distribuidora de energia, especialmente no horário de ponta. Dessa forma, o BESS pode atuar em múltiplas frentes, como backup, load shifting e peak shaving”, disse.
Para Vinícius Eduardo Silva, CEO da Mineradora Monte Cristo, a adoção da solução energética híbrida também reforça o compromisso da empresa com práticas mais sustentáveis no setor mineral.
“Acredito que este seja um passo importante não apenas para a Monte Cristo, mas também para mostrar que é possível fazer mineração no Brasil com mais eficiência, previsibilidade e responsabilidade com o futuro”, afirmou.
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