As baterias de íon-sódio estão avançando rumo à comercialização em larga escala, segundo análise publicada pela IEA (International Energy Agency). O relatório indica que novos anúncios de investimento e melhorias tecnológicas podem tornar 2026 um ano decisivo para o crescimento dessa alternativa às baterias de íon-lítio.
De acordo com a Agência, fabricantes chineses lideram o movimento. A CATL (Contemporary Amperex Technology) lançou a segunda geração de suas baterias de íon-sódio e confirmou planos de implantação comercial a partir de 2026.
A BYD iniciou a construção de sua primeira fábrica dedicada à tecnologia em 2024, com foco em veículos elétricos, armazenamento estacionário e aplicações industriais. Já a Hina Battery apresentou modelos voltados ao setor automotivo.
A tecnologia opera com princípios semelhantes aos das baterias de íon-lítio, mas utiliza sódio em vez de lítio. Entre os principais diferenciais apontados pela IEA está o desempenho em baixas temperaturas. As versões mais recentes conseguem reter cerca de 90% da capacidade nominal a -40 °C e operar em até 70 °C, característica relevante para mercados de clima frio.
Outro fator estratégico é a menor exposição à volatilidade do preço do lítio. Embora as cotações atuais permaneçam abaixo do pico de 2022, os valores dobraram no último ano, o que reforça o interesse das fabricantes em diversificar cadeias de suprimento.
Apesar dos avanços, a densidade energética das baterias de íon-sódio ainda é inferior à das tecnologias predominantes de íon-lítio. As células mais modernas atingem cerca de 175 Wh/kg, enquanto as baterias LFP chegam a 205 Wh/kg e modelos NMC alcançam 255 Wh/kg.
Na prática, isso pode significar autonomia de até 350 km para um SUV médio com íon-sódio, frente a 400–600 km com íon-lítio em condições normais.
O relatório também destaca que quase toda a capacidade instalada e anunciada de produção está concentrada na China, que deve responder por mais de 95% da capacidade global projetada para 2030. Empresas como a LG Energy Solution anunciaram linhas piloto na China, enquanto iniciativas fora do país enfrentam desafios de competitividade.
Segundo a IEA, as baterias de íon-sódio podem desempenhar papel complementar em aplicações específicas, como sistemas híbridos e armazenamento estacionário em regiões frias. No entanto, para competir em igualdade com as baterias de íon-lítio, serão necessários avanços adicionais em densidade energética ou preços sustentadamente mais altos do lítio.
Todo o conteúdo do Canal Solar é resguardado pela lei de direitos autorais, e fica expressamente proibida a reprodução parcial ou total deste site em qualquer meio. Caso tenha interesse em colaborar ou reutilizar parte do nosso material, solicitamos que entre em contato através do e-mail: redacao@canalsolar.com.br.