O presidente da França, Emmanuel Macron, voltou a criticar o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, com foco no capítulo da sustentabilidade, ao afirmar que o texto não garante condições equitativas de concorrência para produtores europeus nem proteção ambiental equivalente entre os blocos.
Em entrevista a um grupo de jornais internacionais, Macron classificou o entendimento como “antigo” e “mal negociado”, argumentando que as regras ambientais e produtivas exigidas na União Europeia não são aplicadas com o mesmo rigor aos países do Mercosul. Segundo ele, essa assimetria pode incentivar a desindustrialização europeia e enfraquecer as metas climáticas do bloco.
O presidente francês defendeu a adoção de chamadas “cláusulas espelho”, que obrigaram exportadores de fora da UE a cumprir padrões ambientais, sanitários e trabalhistas semelhantes aos exigidos dos produtores europeus. A posição reforça a resistência da França à ratificação do acordo em sua forma atual.
Contexto do acordo
O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, teve seu texto-base concluído em 2019. Desde então, a UE passou a negociar instrumentos adicionais ligados à sustentabilidade, incluindo compromissos ambientais e climáticos, em resposta às críticas de países-membros e de setores produtivos europeus.
Até o momento, o acordo segue pendente de ratificação e enfrenta oposição de governos como o francês, além de debates no Parlamento Europeu e em parlamentos nacionais. O tema voltou ao centro da agenda com discussões sobre competitividade, política industrial e transição verde na União Europeia.
A Comissão Europeia defende que o acordo pode ampliar o comércio, fortalecer cadeias globais e criar oportunidades para empresas dos dois blocos, enquanto críticos apontam riscos para a indústria, o setor agrícola e o cumprimento das metas ambientais europeias.
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