Depois de um 2025 marcado por retração nas vendas e forte escassez de crédito, o setor de energia solar espera por uma retomada gradual do mercado em 2026, com uma perspectiva de queda dos juros, da ampliação da oferta de financiamento e de um ambiente regulatório menos instável.
A avaliação é de Sergio Koloszuk, sócio-diretor da Solar Group, em entrevista ao Canal Solar. Segundo ele, o desempenho do mercado em 2025 frustrou as expectativas da cadeia fotovoltaica, especialmente no segundo semestre.
O ano começou com vendas fortes, mas a desaceleração observada antes do período da Intersolar se intensificou ao longo dos meses seguintes, contrariando a expectativa histórica de recuperação do setor na segunda metade do ano.
“Todo mundo se preparou para um segundo semestre mais aquecido, mas isso não aconteceu. O resultado foi decepcionante para muitos distribuidores”, afirmou Koloszuk.
Na avaliação do executivo, o principal fator por trás desse cenário foi a escassez de crédito, agravada por um ambiente de juros elevados, que permaneceu ao longo de praticamente todo o segundo semestre. “O financiamento é a principal porta de entrada para o consumidor. Com taxas de juros elevadas, ficou difícil viabilizar projetos”, destacou.
Além disso, Koloszuk pontuou que as incertezas regulatórias também afetaram a confiança do consumidor final. Segundo ele, rumores sobre possíveis mudanças no setor, aumento de custos ou até restrições à GD (geração distribuída) acabam gerando insegurança. “Esse tipo de discurso cria medo e faz com que o cliente adie a decisão de investir”, avaliou.
Outro ponto sensível de 2025 foi o surgimento de sinais de fragilidade financeira em parte da cadeia de distribuição. De acordo com o sócio-diretor da Solar Group, alguns distribuidores enfrentaram dificuldades ao longo do ano, o que acabou reforçando uma postura mais conservadora do sistema financeiro. “Isso acendeu um alerta e contribuiu para uma retração ainda maior na concessão de crédito”, frisou.

Expectativa de melhora em 2026
Apesar do cenário adverso do ano anterior, a avaliação para 2026 é mais positiva. Koloszuk acredita que a tendência de queda futura dos juros deve estimular o retorno gradual do crédito ao mercado. “Vejo que 2026 tende a ser um ano melhor do que 2025, porque temos um cenário de queda futura dos juros. Acredito que haverá uma maior oferta de crédito, o que é um ponto positivo para o aumento das vendas”, disse ele.
O executivo também aponta fatores macroeconômicos que podem favorecer a retomada da atividade econômica ao longo do ano, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. “Esse dinheiro acaba circulando na economia e, mesmo que a pessoa não invista diretamente em energia solar, ela consome mais e movimenta indiretamente toda a cadeia”, pontuou.
Além disso, o fato de 2026 ser um ano eleitoral também pode contribuir para o aquecimento da economia, com aceleração de obras, programas municipais e maior circulação de recursos públicos. “Tudo isso interfere em uma renda disponível maior para a população”, avaliou.
Planejamento flexível e investimentos em automação
Diante da volatilidade do mercado solar, a Solar Group adotou uma estratégia de planejamento mais flexível. Em vez de elaborar um orçamento anual fechado, a empresa trabalha com ciclos de planejamento de quatro meses, revisados mensalmente.
“Acima de seis meses, qualquer previsão vira chute. O setor é muito imprevisível”, explicou Koloszuk, destacando que esse modelo permite ajustes constantes de metas e maior previsibilidade interna para os colaboradores, especialmente no cumprimento de objetivos comerciais e no sistema de premiações.
No campo dos investimentos, a Solar Group tem direcionado esforços para automação de processos. O executivo destaca que a empresa vem, há cerca de dois anos, seguindo uma diretriz de operar com uma mentalidade chinesa em solo brasileiro, priorizando eficiência, tecnologia e ganho de escala.
Em 2025, a empresa registrou um faturamento semelhante ao de 2022, mas com uma estrutura significativamente mais enxuta. “Em 2022, tínhamos cerca de 440 funcionários. Em 2025, alcançamos o mesmo faturamento com aproximadamente 150 pessoas”, afirmou Koloszuk.
Outro ponto ressaltado pelo diretor comercial é o compromisso da Solar Group com o fortalecimento da cadeia do setor solar. A empresa comercializa seus produtos exclusivamente por meio de distribuidores, mesmo em operações de grande volume.
“Tudo o que fabricamos é vendido ao integrador por meio do distribuidor. Temos muito respeito pela cadeia (…) Se o distribuidor não for forte, nós também não seremos. Fortalecer essa relação é essencial para a sustentabilidade do setor”, pontuou.
Com um cenário regulatório mais previsível e sinais de melhora no ambiente econômico, a Solar Group inicia 2026 apostando em eficiência operacional, retomada gradual do crédito e fortalecimento da cadeia como pilares para atravessar o novo ciclo do mercado solar brasileiro.
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