O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) projeta afluências abaixo da média histórica até julho de 2026 e mantém atenção redobrada aos níveis de armazenamento no SIN (Sistema Interligado Nacional), com maior preocupação concentrada no subsistema Sul.
Segundo o Operador, no mês passado episódios da ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul) favoreceram as chuvas nas regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste, especialmente nas bacias dos rios Paranaíba, Grande e alto e médio São Francisco, que registraram precipitações acima da média.
Ainda assim, o ONS destacou que o volume acumulado não foi suficiente para recompor o déficit pluviométrico anterior, reforçando a necessidade de uma política operativa voltada à preservação dos recursos hídricos.
Nesse sentido, o Operador afirmou que permanece acompanhando a evolução do período chuvoso e das condições hidrológicas e de armazenamento, com atenção especial à bacia do rio Paraná e à região Sul. Além disso, informou que devem ser mantidas medidas para viabilizar a operação das usinas da bacia do rio Paraná com defluências minimizadas.
“O ONS segue em articulação com os integrantes do CMSE e os agentes do setor, monitorando as condições dos reservatórios e as afluências. O Operador acompanha a performance do SIN e estamos prontos para adotar as medidas necessárias preventivas de modo a permanecer garantindo o pleno atendimento eletroenergético”, reitera o diretor de Operação do ONS, Christiano Vieira da Silva.
Projeções de afluência e armazenamento até julho de 2026
As projeções de afluência entre fevereiro e julho de 2026 permanecem abaixo da Média de Longo Termo (MLT), segundo o ONS. No cenário superior, as afluências atingem 83% da MLT; no cenário inferior, 55%.
O Operador apontou que, se o cenário otimista se confirmar, a energia armazenada no subsistema Sudeste/Centro-Oeste poderá encerrar julho com 7,2 pontos percentuais acima do nível registrado no mesmo período de 2025. Já no cenário menos favorável, o armazenamento poderá ficar 31,2 pontos percentuais abaixo do observado no ano anterior.
Para o Sistema Interligado Nacional, as projeções indicam que, no cenário otimista, o armazenamento poderá ficar 4,7 pontos percentuais acima do registrado em julho de 2025. No cenário inferior, o índice poderá ser 26,2 pontos percentuais menor.
Desligamento das térmicas em Roraima avança
Durante a reunião, o ONS detalhou o cronograma para o desligamento das usinas termelétricas em Roraima, estruturado em três etapas e com conclusão prevista para abril de 2026.
A medida é consequência direta da interligação do estado ao Sistema Interligado Nacional, viabilizada pela energização do Linhão Manaus–Boa Vista, concluída em setembro de 2025. Com a conexão, Roraima deixa de operar de forma isolada e reduz significativamente a dependência da geração térmica local.
“A interligação reduz o uso de usinas térmicas e diminui a emissão de CO₂. Entre outros benefícios percebidos estão o controle de fluxo das linhas que atendem os estados do Amazonas e Roraima, com maior estabilidade, o que representa mais segurança energética e operacional”, afirmou o Operador.
Linhão Manaus–Boa Vista inicia operação e conecta Roraima ao SIN
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