Seguindo a trilha aberta pelo Open Finance, o setor elétrico brasileiro ingressa definitivamente na era da portabilidade de dados. Com a regulamentação consolidada pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) em 2025, o Open Energy deixa de ser um conceito para se tornar a espinha dorsal de um mercado descentralizado e focado no usuário.
A premissa é simples, mas poderosa: o dado de consumo pertence ao cliente, não à distribuidora.
Cronograma de implementação (roadmap 2025-2026)
A transição está estruturada em dois marcos fundamentais de interoperabilidade:
Impactos e vetores de transformação
A abertura de dados atua como um catalisador de valor em três frentes:
- Para o Consumidor: Empoderamento na migração para o Mercado Livre, acesso a serviços de eficiência personalizada e transparência total sobre custos.
- Para o Ecossistema (Energy Techs): Fim da assimetria de informação. Possibilidade de criar modelos de “Energy as a Service” (EaaS) e comparadores de tarifas em tempo real.
- Para o Setor: Modernização tecnológica compulsória das distribuidoras e redução de gargalos operacionais.
Referências globais: onde o Brasil se inspira
O modelo brasileiro não nasce no vácuo; ele absorve as melhores práticas de mercados maduros:
- EUA: Pioneiros com o padrão Green Button desde 2012.
- Reino Unido: Integração holística entre dados de energia e finanças.
- Austrália e Portugal: Foco em descarbonização e eficiência residencial/industrial.
Desafios estratégicos no horizonte
Para que o Open Energy atinja seu potencial pleno, o mercado deve endereçar quatro pontos críticos:
- Infraestrutura: Estabilidade e robustez das APIs em escala nacional.
- Segurança: Proteção contra ataques cibernéticos (conforme diretrizes da MP 1.300/2024).
- Viabilidade Financeira: Definição clara sobre o repasse de custos de adequação.
- Inclusão: Levar os benefícios da digitalização para as classes de menor renda.
Conclusão: o nascimento de novos mercados
O Open Energy é a infraestrutura necessária para o surgimento de soluções que antes eram teóricas no Brasil:
- VPPs (Usinas Virtuais de Energia): Gestão agregada de baterias e geração distribuída.
- Marketplaces de Energia: Plataformas digitais para contratação simplificada.
- Analytics de ESG: Dados granulares para estratégias de descarbonização corporativa.
Em suma, 2025 foi o ano da regulação; 2026 será o ano da execução e da inovação.
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