A Europa tem colhido números positivos no setor de eletricidade, gerando energia além da demanda. A produção de eletricidade, especialmente por meios renováveis, tem beneficiado os países com preços negativos, impactando positivamente na queda das tarifas.
Na Espanha, a instalação de painéis solares e turbinas eólicas tem aumentado de forma significativa a geração de energia. No início de 2025, o país alcançou 32 GW, enquanto em 2009 havia apenas 9 GW de capacidade instalada.
Somente no ano passado, foram registradas 500 horas com preços negativos de eletricidade, mais que o dobro de 2024. Outros países, como França e Alemanha, também já começam a registrar períodos com tarifas negativas, refletindo o crescimento da energia renovável e o impacto dessa abundância no mercado europeu.
Preços negativos não chegam diretamente às residências
Apesar de chamarem atenção, os preços negativos da eletricidade não significam que consumidores residenciais estejam sendo pagos para usar energia. Esses valores ocorrem no mercado atacadista, onde produtores negociam com distribuidoras e grandes compradores.
Em momentos de excesso de geração, comuns em dias de forte incidência solar e ventos intensos, a oferta supera a demanda, levando usinas a arcar com custos para escoar o excedente, já que a capacidade de armazenamento ainda é limitada.
Para as famílias, as tarifas costumam ser definidas com antecedência e incluem impostos e encargos regulatórios, o que impede variações imediatas. Ainda assim, o aumento da oferta renovável tem pressionado os preços médios para baixo e contribuído para a redução gradual das contas de luz na Europa.
Sanções do governo Trump reprimem o setor renovável
Enquanto a Europa colhe frutos no setor de energia, impulsionado por subsídios governamentais, os EUA enfrentam tarifas cada vez mais altas. Além dos cortes de subsídios no setor solar e eólico, as concessionárias estão sobrecarregadas para atender à crescente demanda dos centros de dados de inteligência artificial. Somando-se a isso, a inflação pós-pandemia e as tarifas impostas por Donald Trump agravam ainda mais o cenário.
Embora tenha sido registrado um recuo na taxa anual de inflação desde 2022, os últimos dados mostram que os preços da eletricidade em novembro de 2025 estavam 6,9% mais altos em comparação ao mesmo período de 2024.
Os preços negativos de eletricidade, ainda assim, podem acontecer nos EUA, mas apenas em alguns lugares, como no Texas, que dispõe de significativa capacidade eólica e uma rede mais desregulamentada.
O outro lado dos preços negativos da eletricidade
Apesar dos investimentos em baterias para armazenar o excedente de energia, a forte queda nos preços da eletricidade tem reduzido a viabilidade de novos projetos solares na Europa.
Mesmo empreendimentos já licenciados e prontos para construção vêm sendo adiados, mostrando que o desafio atual não é apenas expandir a geração renovável, mas garantir equilíbrio econômico ao setor.
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