Um supermercado em Arapiraca (AL) recebeu um sistema solar fotovoltaico de 1,2 MWp, com 2.182 módulos e 8 inversores de 100 kW, projetado para atender o aumento de carga da climatização sem necessidade de ampliar a subestação ou alterar a demanda contratada junto à concessionária.
O projeto foi desenvolvido pela LR Soluções Elétricas, empresa de Laerte Ramon com mais de 17 anos de experiência em GD (geração distribuída) e projetos elétricos de grande porte. O sistema foi pensado para viabilizar a climatização do supermercado sem esperar o prazo de cerca de um ano necessário para ampliar a subestação de 500 kVA para 1.000 kVA, conforme exigência da Equatorial Alagoas.
“Demos entrada no projeto na concessionária e recebemos a aprovação, mas com prazo de um ano para energizar o cliente. Como ele já havia comprado os equipamentos e estava instalando o ar-condicionado, realizamos um estudo e identificamos que a melhor solução seria optar pelo sistema Grid Zero”, explicou Laerte Ramon, engenheiro eletricista responsável pelo projeto.
Sistema que opera junto à carga
O modelo Grid Zero funciona de forma que a geração fotovoltaica não injeta energia na rede, atuando apenas para compensar a demanda interna do cliente. Dessa forma, o supermercado pôde colocar a climatização em operação imediatamente, sem aumentar a demanda contratada.
“Quando a carga dos aparelhos de ar-condicionado entrasse em operação, o sistema solar também entraria em paralelo, fazendo essa compensação. Assim, não seria necessário alterar a demanda contratada”, afirmou Laerte.
Detalhes técnicos do projeto
O sistema inclui:
- 2.182 módulos fotovoltaicos;
- 8 inversores SUW500 WEG de 100 kW cada;
- Transformador seco de 1.000 kVA e disjuntor geral de 1.500 A;
- Diagramas unifilares detalhados, medição com TCs, proteção com relés e chave faca.
Todos os equipamentos foram instalados no telhado do supermercado, com integração completa à carga existente, garantindo operação dentro do limite da demanda contratada.
Resultados
Com o Grid Zero ativo, a demanda registrada pela concessionária teve redução significativa, por exemplo: 70 kW às 5h e 480 kW às 17h30, mesmo com o funcionamento completo da climatização.
Laerte destacou que a solução permitiu que o supermercado operasse climatizado sem a necessidade de ampliação de subestação ou atraso na operação dos equipamentos. “Conseguimos fazer uma logística dentro do supermercado para que não houvesse alteração na demanda contratada”, concluiu.
O projeto mostra como sistemas fotovoltaicos de grande porte podem ser integrados de forma estratégica para controlar a demanda, sem depender de aumentos de capacidade junto às concessionárias.
Além disso, o projeto foi dimensionado com margem de segurança em relação à demanda elétrica do supermercado. Embora o cliente possua 500 kW de demanda contratada, o consumo histórico máximo registrado antes da climatização era de cerca de 230 kW, com média abaixo de 300 kW. Essa diferença cria uma reserva operacional que permite manter o sistema estável mesmo em eventuais falhas de parte dos inversores fotovoltaicos.
Segundo Laerte, o sistema também está passando por um processo de automação para reforçar essa segurança. Caso um ou mais inversores apresentem falhas, um mecanismo poderá acionar automaticamente uma bobina de trip conectada aos disjuntores dos aparelhos de ar-condicionado, desligando parte da carga para evitar ultrapassar a demanda contratada.
Em um cenário extremo em que a falha não seja percebida imediatamente, a subestação ainda possui capacidade elétrica para suportar a carga total, já que o transformador foi substituído por um modelo de 1.000 kVA, sendo que o único impacto possível seria o pagamento pontual de demanda excedente junto à concessionária.
Todo o conteúdo do Canal Solar é resguardado pela lei de direitos autorais, e fica expressamente proibida a reprodução parcial ou total deste site em qualquer meio. Caso tenha interesse em colaborar ou reutilizar parte do nosso material, solicitamos que entre em contato através do e-mail: redacao@canalsolar.com.br.
