A comercializadora de energia Tradener ingressou com uma medida cautelar na 27ª Vara Cível Empresarial de Curitiba (PR) com o objetivo de assegurar a continuidade de suas operações no Mercado Livre de Energia.
A empresa enfrenta dificuldades financeiras para honrar seus contratos. A ação judicial busca garantir o atendimento aos seus clientes enquanto a empresa negocia uma solução com suas contrapartes.
Em nota, a companhia afirma que o mercado livre atravessa um período de “instabilidade sem precedentes”, provocado por mudanças regulatórias, pela expansão da geração solar em ritmo superior ao planejamento e por restrições crescentes na entrega de energia por fontes renováveis no sistema.
“Esses fatores alteraram profundamente a lógica econômica dos contratos de energia e afetaram de forma generalizada os agentes do mercado livre – não apenas a Tradener”, disse a empresa em nota, considerada uma das comercializadoras mais tradicionais do setor elétrico.
A medida cautelar funciona como um mecanismo para que a empresa ganhe tempo e busque uma solução negociada que preserve a entrega de energia aos seus credores.
“A Tradener esclarece que o ajuste de perfil não reduz o volume total de energia, mas compatibiliza a entrega com o perfil real das fontes que compõem o lastro contratual da empresa, garantindo que o fornecimento seja viável e sustentável”, informou a companhia.
A empresa afirma ainda que a proposta preserva os preços originalmente contratados, “em um momento em que os preços de mercado estão significativamente mais altos e a liquidez para recontratação é historicamente baixa”.
Crise econômica e financeira
A Tradener enfrenta uma crise que, segundo a própria empresa, deorre de fatores extraordinários e imprevisíveis – entre eles, alterações no modelo de formação de preços a partir de 2025, alta volatilidade do preço spot detrade energia e o descasamento entre as curvas de carga e geração.
Esse conjunto de fatores teria comprometido sua capacidade de honrar integralmente os contratos. A cautelar suspende, por 60 dias, a execução de dívidas da comercializadora e impede um eventual desligamento da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).
A juíza Luciane Pereira Ramos também determinou que a empresa apresente um pedido de recuperação judicial ou extrajudicial, conforme revelou com exclusividade a Agência Infra, que teve acesso ao processo, atualmente sob segredo de justiça.
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