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Início / Artigos / Artigo Técnico / Ampliar sistema sem homologação pode sair caro: entenda riscos e como regularizar

Ampliar sistema sem homologação pode sair caro: entenda riscos e como regularizar

Como integrador, você tem o papel de educar, orientar e agir com responsabilidade
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  • Foto de Thiago Bao Ribeiro Thiago Bao Ribeiro
  • 2 de fevereiro de 2026, às 17:08
4 min de leitura
Ampliar sistema sem homologação pode sair caro: entenda riscos e como regularizar
Foto: Solars Ce Empreendimentos

A geração distribuída solar tem crescido de forma acelerada no Brasil e os integradores têm papel fundamental nessa expansão. Mas, junto com esse avanço, surgem também algumas armadilhas jurídicas que, se não forem bem administradas, podem gerar sérios prejuízos para o consumidor final (e dor de cabeça para quem projetou ou instalou o sistema).

Uma delas é a ampliação de sistemas fotovoltaicos sem homologação prévia pela distribuidora. Parece algo simples ou até inofensivo, mas essa prática pode gerar penalidades graves, como desligamento da unidade, perda de benefícios tarifários e até devolução de valores compensados.

Neste artigo, explicamos de forma clara:

  • Quais são os riscos de ampliar um sistema sem comunicar a distribuidora;
  • O que diz a legislação vigente;
  • Como funciona o processo de penalização;
  • E o passo a passo para regularizar a situação de forma segura.

O que acontece quando há ampliação sem homologação?

De acordo com a Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021 e a Lei nº 14.300/2022, qualquer alteração na potência de um sistema de geração distribuída deve ser previamente homologada junto à distribuidora.

Se a distribuidora identificar um aumento de potência que não foi comunicado, ela pode aplicar uma série de sanções, que afetam diretamente a operação e a rentabilidade do sistema.

As principais penalidades incluem:

  • Desligamento da unidade consumidora: se a distribuidora identificar risco técnico ou de segurança, pode cortar o fornecimento imediatamente.
  •  Reenquadramento da usina para GD II: isso elimina benefícios tarifários como a isenção do Fio B, de todo sistema instalado, incluindo a ampliação, aumentando consideravelmente a conta de luz.
  • Suspensão da compensação de créditos de energia: toda a energia excedente gerada não será mais compensada — ou seja, o consumidor injeta energia na rede, mas não recebe nada em troca.
  • Desconsideração da energia injetada: os créditos gerados desde o momento da irregularidade até a regularização são simplesmente perdidos.
  • Multa com revisão de faturamento: a distribuidora pode recalcular a fatura de todas as unidades beneficiadas e cobrar os valores retroativamente, corrigidos pelo IPCA, em até 36 parcelas.

Existe um procedimento e ele deve ser seguido pela distribuidora

É importante destacar que as penalidades não podem ser aplicadas de forma automática. A distribuidora precisa seguir um rito regulatório que assegura o direito à defesa do consumidor. Esse rito inclui notificações formais, prazos, fundamentação técnica e direito à contestação.

Esse é um ponto crucial: nem toda notificação leva, necessariamente, à aplicação da penalidade — desde que o integrador e o cliente saibam como agir corretamente.

Fui notificado, e agora? O passo a passo para regularizar

Recebeu uma notificação por ampliação sem homologação? Veja como agir de forma estratégica para mitigar os danos:

1. Regularize imediatamente

Você tem duas opções:

  • Protocolar o pedido de homologação da parte aumentada;
  • Ou remover o excedente instalado de forma irregular.

Quanto mais rápido for esse passo, menor o impacto.

2. Envie uma contra-notificação técnica

Após corrigir a irregularidade, é essencial notificar a distribuidora de volta, informando que a situação foi ajustada. Isso deve ser feito com argumentos técnicos, nada genérico.

3. Exija documentos e verifique a fundamentação

A distribuidora é obrigada a apresentar:

  • Cálculo detalhado da penalidade;
  • Provas técnicas que sustentem a infração;
  • Enquadramento legal utilizado.

Essa análise é essencial para identificar erros de cálculo, falhas no enquadramento ou aplicação de multas indevidas.

4. Acompanhe o processo até o fim

Mesmo com a regularização feita, a distribuidora pode seguir com a penalidade. Por isso, é fundamental acompanhar todo o processo e, se necessário, buscar apoio jurídico especializado para garantir que todos os seus direitos sejam respeitados.

Um alerta para integradores: sua orientação faz a diferença

O integrador é, muitas vezes, o elo entre o cliente e o sistema elétrico. Por isso, é essencial orientar corretamente sobre os riscos de ampliações sem homologação.

Além de proteger o consumidor, essa postura aumenta a credibilidade do seu serviço, evita litígios e valoriza seu posicionamento no mercado solar.

Conclusão

A ampliação irregular de sistemas solares é mais comum do que deveria e os prejuízos podem ser altos. Como integrador, você tem o papel de educar, orientar e agir com responsabilidade.

Homologar cada etapa da usina junto à distribuidora é parte do processo. Ignorar isso pode anular toda a economia prometida ao cliente e transformar um bom projeto em um grande problema.

Fique atento aos trâmites legais, acompanhe cada notificação com critério técnico e jurídico, e fortaleça seu posicionamento como especialista confiável em energia solar.

As opiniões e informações expressas são de exclusiva responsabilidade do autor e não obrigatoriamente representam a posição oficial do Canal Solar.

Distribuidoras de energia GD (geração distribuída) homologação de energia solar
Foto de Thiago Bao Ribeiro
Thiago Bao Ribeiro
Atua como advogado há 15 anos no segmento de energia, com propósito é capacitar clientes e colaboradores a desenvolver os melhores empreendimentos de energias renováveis. Possui experiência em fusões e aquisições de projetos de energia renovável. Já participou da implantação de mais de 600 MW de usinas de fonte solar, biogás, hidráulica e eólica. Tem experiência em estruturação em regimes especiais de isenção do pagamento do ICMS e REIDI, com redução do CAPEX e melhora do fluxo de caixa de projetos de PCH e CGH.
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