O avanço das energias renováveis deixou de impactar apenas o setor elétrico e passou a ganhar espaço também na Bolsa de Valores. Com o fomento das fontes limpas no Brasil, investidores passaram ao longo dos anos a contar com alternativas voltadas exclusivamente à geração renovável e à transição energética.
Embora ainda existam poucas as opções disponíveis, já é possível encontrar na B3 ações, FIIs (fundos imobiliários) e ETFs com exposição direta ao setor de energias renováveis.
Uma das empresas listadas na Bolsa brasileira é a Auren Energia (AURE3), que se destaca por possuir uma matriz 100% renovável. Seu portfólio reúne usinas hidrelétricas, eólicas e solares distribuídas por diferentes regiões do país, consolidando a companhia entre as maiores geradoras de energia limpa do mercado brasileiro.
Diferentemente dos fundos imobiliários, a Auren combina distribuição de dividendos com potencial de valorização das ações. O retorno do investidor depende tanto dos resultados operacionais da empresa quanto da evolução do preço dos papéis negociados na Bolsa.
Já para quem busca renda passiva, os FIIs (fundos imobiliários) podem ser uma alternativa interessante. Um dos principais destaques do segmento é o SNEL11, primeiro fundo imobiliário brasileiro dedicado exclusivamente ao setor de energias renováveis.
O fundo investe na aquisição e operação de usinas solares voltadas à GD (geração distribuída), permitindo que investidores tenham exposição ao mercado fotovoltaico sem a necessidade de instalar ou administrar ativos próprios. Assim como outros FIIs, distribui aos cotistas parte dos resultados gerados por suas operações, tendo como foco a geração recorrente de rendimentos.
Outra alternativa é o RENV11, fundo imobiliário com foco em projetos fotovoltaicos. O ativo investe diretamente na infraestrutura de geração solar e busca gerar receitas por meio da operação desses empreendimentos. Assim como o SNEL11, a proposta é oferecer exposição ao setor renovável com foco na distribuição periódica de rendimentos aos investidores.
Opções com exposição internacional
Para investidores que buscam diversificação geográfica, também existem alternativas ligadas à transição energética global. Uma delas é o BICL39 – um BDR de ETF que replica o desempenho do iShares Global Clean Energy ETF, considerado uma das principais referências internacionais do setor.
Por meio desse ativo, o investidor brasileiro passa a ter exposição indireta a dezenas de empresas de energia limpa espalhadas por diferentes países, reduzindo a dependência do desempenho de uma única companhia ou mercado.Nesse caso, o foco está principalmente na valorização da carteira ao longo do tempo, e não na geração recorrente de dividendos.
Outra alternativa é o BQCL39 – um BDR do ETF First Trust NASDAQ Clean Edge Green Energy Index Fund. Além de empresas ligadas à geração renovável, o fundo investe em segmentos associados à transição energética, como armazenamento de energia, infraestrutura elétrica, fabricantes de baterias e mobilidade elétrica.
Por essa característica, o ativo é frequentemente visto como uma forma de investir não apenas em fontes renováveis, mas em toda a cadeia global de eletrificação e descarbonização da economia.
Por que empresas como Engie, Eletrobras e Taesa ficam de fora da lista?
Embora sejam frequentemente associadas à transição energética, diversas empresas conhecidas do setor elétrico não entraram nesta lista por não atenderem ao critério de exposição exclusivamente renovável.
É o caso de companhias como Engie Brasil, Eletrobras, Copel e Neoenergia. Apesar de possuírem forte presença em hidrelétricas, parques eólicos e usinas solares, essas empresas também mantêm operações ou ativos que não estão integralmente ligados às fontes renováveis.
O mesmo vale para transmissoras como Taesa, ISA Energia Brasil e Alupar. Embora sejam fundamentais para a expansão das energias renováveis ao conectar parques solares e eólicos aos centros de consumo, elas não atuam diretamente na geração de energia.
Por esse motivo, o levantamento considerou apenas ativos cuja atividade principal está diretamente relacionada à geração renovável ou à exposição exclusiva ao segmento de energia limpa.
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