Em entrevista ao Canal Solar, executivos da Canadian Solar relataram que a empresa tem ampliado sua atuação no mercado brasileiro de armazenamento de energia com baterias, estruturando equipes específicas para atender desde aplicações comerciais e industriais até projetos de grande porte ligados ao LRCAP, leilão considerado estratégico para a consolidação dos sistemas BESS no país.
Para atender esse segmento, a companhia tem promovido no país o Kubank, solução modular de armazenamento de energia desenvolvida pela Canadian Solar para aplicações comerciais e industriais, que pode ser instalada de forma escalável e integrada a diferentes perfis de consumo, conduzida pela estrutura já estabelecida da companhia no Brasil, e outra frente direcionada a projetos utility scale, sob responsabilidade da subsidiária e-STORAGE.
Aplicações C&I e geração de valor
Irene Sultanum, Head of Sales Storage da Canadian Solar, comentou que o foco atual de sua gestão está na expansão de projetos voltados a comércios e indústrias, especialmente em soluções de time shift, que permite armazenar energia em períodos de menor custo para utilização nos horários mais caros.
“Estamos priorizando aplicações que aumentam a eficiência econômica do cliente, permitindo reduzir gastos com energia por meio do armazenamento estratégico”, afirmou.
A executiva destacou que a estratégia da empresa vai além do fornecimento de equipamentos. A companhia atua também como parceira técnica, oferecendo suporte de engenharia, dimensionamento adequado e serviços ao longo de toda a vida útil dos sistemas.
Entre as iniciativas recentes está o lançamento de um programa de O&M (operação e manutenção), voltado a garantir maior confiabilidade e desempenho dos projetos.
Outro diferencial apontado por Irene é a estrutura local da empresa. Segundo ela, a companhia realiza a importação dos equipamentos, mantém estoque no país e comercializa os sistemas com faturamento em reais, reduzindo riscos cambiais e simplificando o processo de aquisição.
“Acreditamos que essa estrutura será um diferencial importante, pois o cliente não precisa lidar com importação ou exposição ao dólar. A própria Canadian assume toda essa etapa”, disse.
Ela acrescentou ainda que a empresa também atua como parceira de EPCistas e empresas de engenharia que não possuem capacidade de financiamento própria.
“Muitas empresas técnicas têm bons projetos, mas não conseguem viabilizá-los financeiramente. Nesses casos, a Canadian entra como parceira para viabilizar a implantação”, explicou. Para Irene, o segmento comercial e industrial representa uma oportunidade significativa de crescimento no Brasil.
A executiva destacou que a companhia já comercializou mais de 18 projetos com parte das instalações prevista para entrar em operação ainda no primeiro semestre com a estratégia da empresa de incluir e atender desde projetos menores até sistemas de maior porte, ampliando o acesso à tecnologia.
“O mercado ainda é recente e há grande potencial de expansão. Estamos focados em projetos concretos e na conversão efetiva em vendas. Queremos viabilizar soluções para diferentes perfis de clientes, inclusive aqueles que precisam apenas de um ou poucos gabinetes de baterias. Nem todo projeto exige grande escala”, acrescentou.
Em análise, ela diz ainda que pretende replicar no armazenamento a experiência adquirida no mercado de geração distribuída, no qual a empresa já possui forte presença no Brasil tanto em utility scale quanto em GD e levar essa capilaridade também para o mercado de baterias, especialmente no segmento C&I, que historicamente recebeu menos atenção. O segmento intermediário de armazenamento ainda é pouco explorado pelos fornecedores, avalia Irene.
“Hoje muitas empresas priorizam apenas os projetos de grande porte. A estratégia da Canadian Solar inclui atender também esse mercado que tem um enorme potencial”, ressaltou.
LRCAP visto como inevitável
Para o setor de armazenamento, o certame é considerado um marco regulatório capaz de destravar investimentos e consolidar o papel das baterias na matriz elétrica.
Rafael Moura, executivo responsável pela operação da e-STORAGE no Brasil, avalia que a realização do leilão é apenas uma questão de tempo.Na avaliação do executivo, o leilão precisa ocorrer o quanto antes para permitir que o sistema elétrico incorpore novas ferramentas de flexibilidade e estabilidade. Ele ressalta que a primeira contratação também servirá como referência para preços e modelos de negócio futuros.
“A discussão já não é mais se o armazenamento vai acontecer, mas quando. O Brasil está atrasado. Enquanto países vizinhos, como a Argentina, avançaram na contratação de baterias, aqui convivemos com um curtailment crescente e uma necessidade evidente de potência. Ainda assim, o país segue patinando na adoção dessa tecnologia”, afirmou. Moura também observa que o interesse internacional já é elevado e tende a aumentar a competitividade.
“O número de empresas interessadas é muito grande. Já vimos processos com dezenas de fabricantes participando de cotações. Em projetos desse porte, financiamento, gestão de riscos, estratégia e track record faz muita diferença. Preço é importante, mas não é só isso que vence o leilão”, disse.
Segundo ele, embora a concorrência possa pressionar preços, fatores como estrutura local, bancabilidade, garantias e histórico de execução global ganham peso em projetos dessa magnitude.
Compromisso de entrega e visão de longo prazo
Ambos os executivos ressaltam que cumprir prazos e garantir suporte ao longo do ciclo de vida dos sistemas é essencial para reduzir riscos e assegurar a continuidade das operações.
Moura acrescenta que as propostas apresentadas já consideram cronogramas completos, desde a assinatura do contrato até o início da operação comercial, o que contribui para maior previsibilidade dos projetos. “São propostas factíveis, com datas definidas. É um compromisso real com o cliente”, afirmou.
O executivo também destaca a volatilidade do mercado global de baterias, influenciado principalmente pelo preço do lítio e negociada internacionalmente, cujo valor pode variar diariamente.
“O lítio é uma commodity e varia diariamente. Ainda assim, quando há pré-contrato, mantemos o compromisso firmado”, observou.
Para projetos de grande porte, ele compara a contratação de sistemas de armazenamento a um compromisso de longo prazo, devido à necessidade de suporte técnico contínuo por décadas e diz que é preciso garantir que a empresa esteja presente para dar suporte ao sistema.
Nesse contexto, os executivos avaliam que a evolução do mercado de armazenamento no Brasil dependerá não apenas de condições econômicas e regulatórias, mas também da capacidade dos projetos de contar com fornecedores estáveis ao longo do tempo.
Todo o conteúdo do Canal Solar é resguardado pela lei de direitos autorais, e fica expressamente proibida a reprodução parcial ou total deste site em qualquer meio. Caso tenha interesse em colaborar ou reutilizar parte do nosso material, solicitamos que entre em contato através do e-mail: redacao@canalsolar.com.br.