A capacidade instalada de energia nuclear no mundo pode alcançar 1.446 GW até 2050, superando a meta global de triplicar a potência atual. A projeção consta no mais recente relatório da Associação Nuclear Mundial (WNA, na sigla em inglês), que indica um avanço significativo das ambições governamentais em relação à fonte.
De acordo com o World Nuclear Outlook, caso os compromissos nacionais anunciados sejam efetivamente implementados, a expansão da energia nuclear deverá ganhar ritmo ao longo das próximas décadas. O estudo foi apresentado durante o Fórum Econômico Mundial de 2026, realizado entre os dias 19 e 23 de janeiro, em Davos, na Suíça.
O relatório destaca que mais de 50 países estão avançando em seus programas nucleares, seja por meio da extensão da vida útil de usinas existentes, da construção de novos reatores ou da incorporação de novas tecnologias, com destaque para os pequenos reatores modulares (SMRs).
Apesar do cenário favorável, a WNA alerta que o principal desafio passa a ser a conversão das metas políticas em projetos concretos. Para isso, será necessário avançar de forma coordenada em áreas como políticas públicas, ambiente regulatório, modelos de financiamento, cadeias globais de suprimentos e formação de mão de obra especializada.
Na avaliação da ABDAN (Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares), o estudo confirma uma tendência clara no cenário internacional e traz reflexões relevantes para o planejamento energético brasileiro.
“O relatório mostra que a energia nuclear voltou definitivamente ao centro da agenda energética global. Países estão tratando a fonte como estratégica para a transição energética, para a segurança do sistema elétrico e para o cumprimento das metas climáticas”, afirma a entidade.
Segundo a ABDAN, o Brasil reúne condições técnicas, industriais e institucionais para ampliar sua presença no setor nuclear, mas precisa acelerar decisões estratégicas.
“Enquanto o mundo avança na expansão da capacidade nuclear, o Brasil ainda debate questões estruturais. O World Nuclear Outlook reforça a necessidade de alinhar o planejamento energético nacional às tendências internacionais e de aproveitar o potencial da energia nuclear como fonte limpa, firme e de longo prazo”, conclui a associação.
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