O mercado brasileiro de energia solar iniciou 2026 com sinais de maior maturidade e competição, especialmente nos segmentos de projetos de maior porte e soluções voltadas ao mercado corporativo.
Nesse cenário, empresas do setor buscam ampliar parcerias estratégicas, investir em tecnologia e explorar novas oportunidades ligadas ao armazenamento de energia.
Em entrevista exclusiva ao Canal Solar, o CEO da HDT, Leonardo Cyrino, detalha como a empresa avalia o momento atual do setor no Brasil, comenta tendências, como o crescimento do mercado de baterias, e os desafios impostos pelo curtailment. Além disso, explica o posicionamento da companhia dentro da cadeia de valor do mercado solar.
Raphael Guerra: Como a HDT avalia o momento atual do setor solar no Brasil, especialmente no segmento de projetos de maior porte e soluções B2B?
Leonardo Cyrino: A HDT vive um momento de maturidade nas relações com parceiros no Brasil. A confiança depositada depois de anos de relacionamento trouxe oportunidades diferenciadas, como a participação em fundos de investimento criados para o segmento e apresentados aos parceiros de forma exclusiva.
Hoje, vários deles já possuem participação não apenas na geração de oportunidades e no cross selling, mas também no retorno financeiro junto à HDT. Iniciamos esse processo aportando aos parceiros equipamentos de tecnologia de ponta, como soluções de BESS, além de treinamentos e suporte comercial e operacional para identificar as melhores oportunidades de aplicação. Quando essas oportunidades são desenvolvidas, oferecemos diversas opções de venda.
Nos últimos meses, o setor tem discutido temas como armazenamento de energia, curtailment e novas demandas do sistema elétrico. Como esses movimentos estão influenciando a estratégia da HDT?
A HDT entende que o mercado vive um momento de democratização da energia, impulsionado por diferentes plataformas e soluções tecnológicas. Nesse cenário, o foco da empresa está principalmente na experiência energética para o segmento residencial e para pequenas e médias empresas e indústrias.
Nesse contexto, continuaremos investindo em soluções diferenciadas e de alto valor agregado. Ainda ao longo de 2026, diversas novidades devem ser apresentadas com o objetivo de ampliar significativamente a percepção de valor por parte dos clientes.
A pressão por eficiência e redução de custos continua forte no mercado. Como a HDT tem ajustado seu posicionamento para manter competitividade nesse novo cenário?
A HDT tem como objetivo principal acompanhar atentamente os movimentos tecnológicos do setor, considerando também fatores como incentivos fiscais, custos de nacionalização e novas oportunidades de mercado. O Brasil é um país que exige grande dinamismo das empresas, já que diversas variáveis mudam constantemente.
Nesse contexto, avaliamos a fabricação local como uma alternativa relevante para manter a competitividade e ampliar as oportunidades no setor de energia. Ao mesmo tempo, seguimos firmes em nosso principal pilar de atuação: oferecer tecnologia de ponta, com alta eficiência e baixo índice de falhas, sempre com responsabilidade e forte parceria com nossos clientes e parceiros.
A HDT ainda é frequentemente confundida com uma distribuidora tradicional. Como a empresa define hoje seu papel dentro da cadeia de valor do setor solar?
É importante esclarecer essa diferença. A HDT não vende e nunca venderá diretamente ao cliente final. Nosso papel é desenvolver e fortalecer canais e parceiros que desempenham essa função no mercado.
A empresa aporta ao ecossistema produtos de alta tecnologia, uma política clara de preços e volume, além de iniciativas constantes de inovação. Também oferecemos suporte direto aos distribuidores por meio de ações de sell-out, campanhas de marketing conjuntas, participação em feiras, apoio comercial e soluções financeiras que, em alguns casos, permitem inclusive a participação do próprio distribuidor como sócio em determinadas operações.
Por isso, a HDT não é uma distribuidora. Nosso papel é atuar como parceira estratégica no desenvolvimento e fortalecimento desses canais no mercado.
A atuação em soluções B2B de maior complexidade muda o perfil de relacionamento da HDT com integradores, EPCistas e investidores?
Muda, sim. Esse tipo de atuação exige uma curadoria mais cuidadosa na escolha de integradores, EPCistas e investidores que tenham o DNA necessário para desenvolver projetos dessa natureza.
Nesses casos, a responsabilidade em relação ao cliente final é ainda maior, já que as expectativas são mais elevadas e o nível de especialização exigido também aumenta. O volume de interações é diferente e o discurso precisa estar alinhado aos valores que a HDT defende no mercado.
Nesse contexto, integradores, EPCistas e investidores acabam atuando também como porta-vozes da própria HDT. Ao mesmo tempo, continuamos utilizando o ecossistema de distribuidores para a oferta das soluções de equipamentos, mantendo um modelo de atuação em que todos ganham.
Olhando para este ano, quais frentes de negócio estão ganhando mais relevância dentro da estratégia da HDT?
Definitivamente, a solução combinada de Solar + BESS. A chegada das baterias com preços mais competitivos amplia as oportunidades em diversos setores do mercado.
Além disso, a HDT está desenvolvendo parcerias em áreas de tecnologia residencial complementares ao setor de energia, com o objetivo de construir, no longo prazo, novas formas de acesso ao cliente final e ampliar a geração de valor dentro desse ecossistema.
A Huawei foi novamente reconhecida como líder global em inversores. Na prática, como esse posicionamento global se traduz em oportunidades para o mercado brasileiro?
Esse reconhecimento reforça algo que se constrói ao longo do tempo: confiança. Em mercados mais maduros, onde as relações são mais longevas, fica cada vez mais evidente a vantagem de trabalhar com marcas que entregam benefícios consistentes no longo prazo, como é o caso da parceria entre Huawei e HDT.
O Brasil ainda passa por um processo de amadurecimento do mercado, no qual soluções de menor valor agregado ainda têm boa penetração. No entanto, como temos uma visão de longo prazo para o setor, seguimos priorizando qualidade, eficiência e confiabilidade como pilares da nossa atuação.
Para encerrar: qual tendência do setor solar o mercado ainda está subestimando em 2026?
Acreditamos que o setor de energia caminhará cada vez mais para soluções baseadas em armazenamento em baterias e tecnologias associadas. Independentemente do tema em discussão, as células de lítio já se consolidam como um elemento central nessa transformação.
Nesse contexto, uma palavra-chave para o mercado é treinamento. As soluções que envolvem armazenamento e sistemas mais complexos exigem maior capacidade de análise para demonstrar seus benefícios financeiros. Por isso, os integradores precisam se manter atualizados e preparados para atuar em projetos de maior escala e complexidade.
Hoje, grande parte dessas oportunidades está em projetos de média e alta tensão, onde se concentram iniciativas de maior valor agregado e maior potencial de retorno.
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