Teve início às 10h desta quarta-feira (18) o primeiro Leilão de Reserva de Capacidade na Forma de Potência (LRCAP) de 2026, voltado à contratação de usinas termelétricas a gás natural, carvão mineral e hidrelétricas. O certame, coordenado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, ocorre de forma virtual.
O Canal Solar acompanha a disputa em tempo real, com atualizações ao longo do dia. A expectativa do mercado é de um leilão prolongado, diante da forte concorrência entre os agentes. Ao todo, a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) cadastrou cerca de 330 projetos, que somam aproximadamente 120 GW de capacidade.
O preço-teto para termelétricas novas (produtos entre 2028 e 2031) foi fixado em R$ 2,9 milhões por MW/ano. Para usinas existentes (entre 2026 e 2031), o valor é de R$ 2,25 milhões por MW/ano. Já para hidrelétricas (produtos de 2030 e 2031), o teto estabelecido é de R$ 1,4 milhão por MW/ano. Os contratos terão duração de dez anos para usinas existentes e de 15 anos para novos empreendimentos e ampliações.
Nos bastidores, a agenda política também movimenta o certame. Havia a previsão de uma conversa prévia com a imprensa por parte do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, antes da abertura dos lances. Agora, a expectativa é que ele acompanhe o leilão presencialmente na sede da CCEE. Uma coletiva está marcada para as 17h, com representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica, da EPE, do Operador Nacional do Sistema Elétrico e da própria CCEE, além do ministro.
Os LRCAP têm como objetivo contratar disponibilidade de potência para reforçar a flexibilidade operativa e a segurança de suprimento do Sistema Interligado Nacional, sobretudo para o atendimento ao horário de pico do sistema, no início da noite.
Um o segundo leilão ocorre na sexta-feira (20), voltado à contratação de termelétricas movidas a óleo combustível e biodiesel.
Como funciona a disputa
A definição dos vencedores passa por um critério que combina preço e desempenho operacional. O principal indicador é o chamado Preço de Disponibilidade de Potência, calculado a partir da receita anual ofertada pelo agente em relação à potência disponibilizada. A esse valor, soma-se uma parcela adicional associada ao chamado “Fator A”, multiplicado pelo CVU (Custo Variável Unitário) da usina.
Na prática, o “Fator A” reflete a flexibilidade operativa das termelétricas – levando em conta variáveis como tempo de acionamento da usina, desligamento e limites de operação. Quanto mais flexível a usina, maior tende a ser sua competitividade no leilão.
A dinâmica da disputa é dividida em duas fases
Na etapa inicial, os empreendedores apresentam suas propostas com base em dois elementos: a Receita Fixa Anual e a quantidade de potência ofertada – sempre dentro da capacidade do projeto. Com isso, o sistema calcula automaticamente o preço de disponibilidade de cada oferta.
Ao fim do prazo, os lances são organizados do menor para o maior preço. Avançam apenas aqueles que atendem à demanda do produto. Nesta seleção, também pesa a capacidade do SIN de escoar a energia em cada ponto de conexão, o que pode limitar a classificação de alguns projetos.
Na sequência, o leilão entra na fase contínua, onde a competição se intensifica. O preço corrente parte do maior valor classificado anteriormente e passa a cair gradualmente, rodada a rodada.
Nesse momento, os agentes ajustam seus lances, indicando quanta potência aceitam manter diante da redução de preços. Quando não há mais alterações de preço dentro do tempo previsto, a disputa é encerrada – e as propostas são finalmente divididas entre contratadas e não contratadas.
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