O Grupo Elétron, formado pela Elétron Comercializadora, Volswatts Holding e Elétron Power Geração, entrou com pedido de recuperação judicial após enfrentar uma crise financeira que comprometeu sua capacidade de honrar obrigações no mercado de energia.
De acordo com a petição, o passivo total alcança R$ 1,16 bilhão, com impactos sobre diversos agentes do setor e potencial efeito sistêmico. Segundo a Elétron, a deterioração financeira está associada a mudanças nas regras de formação de preços de energia, que provocaram movimentos inesperados no mercado.
A companhia afirma que, ao vender energia a descoberto, foi diretamente afetada pela alta dos preços, o que dificultou o fechamento de novos contratos para recomposição de sua posição. O grupo também atua na geração de energia, com um portfólio de mais de dez usinas – nove solares fotovoltaicas e uma PCH (pequena central hidrelétrica).
A empresa relata que os empreendimentos foram impactados pelo curtailment, reduzindo a geração efetiva e, consequentemente, as receitas dos projetos, o que pressionou o fluxo de caixa e dificultou o pagamento de financiamentos.
Na petição, a Elétron sustenta que a crise tem natureza essencialmente financeira, decorrente de desequilíbrios conjunturais do mercado e da volatilidade de preços. “Não há inviabilidade do negócio, mas sim necessidade de reestruturação e alongamento do passivo”, afirma o grupo no documento.
A lista de credores é extensa. O maior passivo está concentrado na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), com exposição de R$ 334,8 milhões. A Thera Comercializadora de Energia aparece com R$ 82,3 milhões, valor que, segundo fontes do mercado, pode ampliar os efeitos da crise sobre outros agentes. O BTG Pactual também figura entre os credores, com exposição de R$ 53 milhões.
Constam ainda na relação empresas como Auren Energia, Cemig, Belo Monte Transmissora de Energia, Energisa e Electra Comercializadora. O pedido de recuperação judicial da Elétron se soma a outros casos já registrados no setor elétrico brasileiro, que nos últimos anos envolveram empresas como 2W Ecobank, Gold Energia, Rio Alto, Máxima Energia e América Energia.
Com sede no Recife (PE), a Elétron informa transacionar cerca de 2 GW médios de energia por mês e se posiciona como a terceira maior comercializadora de energia independente do país.
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