A Colômbia opera um dos modelos de setor elétrico mais consolidados e estruturados da América Latina, com forte participação privada, regras de mercado bem definidas e um sistema regulatório considerado referência na região.
Ainda assim, a elevada dependência de fontes hidrelétricas torna o país particularmente sensível a eventos climáticos extremos, como o fenômeno El Niño, que historicamente impacta a segurança do fornecimento de energia.
Uma matriz predominantemente hidrelétrica
A matriz elétrica colombiana é fortemente baseada em usinas hidrelétricas, que respondem pela maior parte da geração de eletricidade do país. Essa característica garante baixos custos operacionais e baixas emissões, mas aumenta a vulnerabilidade do sistema a períodos de seca.

Além da geração hídrica, o parque elétrico colombiano conta com:
- Usinas termelétricas a gás natural, carvão e óleo combustível
- Fontes renováveis não convencionais, como solar e eólica, em expansão recente
As térmicas desempenham um papel estratégico de segurança, sendo acionadas principalmente em momentos de escassez hídrica.
Geração com ampla participação privada
A geração de energia na Colômbia é realizada majoritariamente por empresas privadas, além de algumas estatais e companhias de capital misto. As usinas competem no mercado para vender energia, dentro de um ambiente regulado e organizado.
O país adota um modelo de mercado competitivo, com mecanismos específicos para garantir a confiabilidade do sistema.
MEM (Mercado de Energia Mayorista)
A comercialização de energia ocorre no MEM (Mercado de Energia Mayorista), onde geradores, comercializadores e grandes consumidores negociam contratos e participam do mercado de curto prazo.

A operação do sistema interligado nacional e a administração do mercado são responsabilidades da XM, empresa que atua como:
- Operador do sistema elétrico
- Administrador do mercado atacadista
- Responsável pelo planejamento da operação
O papel do Cargo por Confiabilidade
Um dos pilares do modelo colombiano é o Cargo por Confiabilidade, um mecanismo criado para garantir que haja capacidade suficiente de geração disponível, mesmo em cenários hidrológicos adversos.
Por meio desse instrumento, usinas recebem uma remuneração adicional por estarem disponíveis para gerar energia quando o sistema mais precisa, reduzindo o risco de racionamentos durante períodos de seca prolongada.
Transmissão regulada e integrada
A transmissão de energia em alta tensão é realizada por empresas concessionárias, operando sob contratos regulados. A rede interliga diferentes regiões do país, conectando áreas de geração hidrelétrica aos principais centros de consumo.
Os investimentos em transmissão são planejados para garantir confiabilidade e reduzir gargalos no sistema interligado nacional.
Distribuição e comercialização
A distribuição de energia é feita por concessionárias regionais, responsáveis pela entrega da eletricidade aos consumidores finais. Paralelamente, existem empresas comercializadoras que compram energia no mercado atacadista e a revendem a consumidores regulados e livres.
Esse modelo permite maior flexibilidade contratual, especialmente para grandes consumidores industriais.
Quem regula o setor elétrico colombiano?
A política energética é definida pelo Ministério de Minas e Energia.

A regulação econômica e tarifária é responsabilidade da CREG (Comisión de Regulación de Energía y Gas), que estabelece as regras do mercado, metodologias tarifárias e mecanismos de confiabilidade.
Já a fiscalização do serviço é feita pela SSPD (Superintendência de Serviços Públicos Domiciliarios).
Tarifas e formação de preços
As tarifas de energia na Colômbia refletem, em grande parte, os custos de geração, transmissão e distribuição, embora existam subsídios cruzados para consumidores de baixa renda, classificados por estratos socioeconômicos.
Esse modelo busca equilibrar a sustentabilidade financeira do setor e acesso à energia.
Desafios do sistema colombiano
Apesar da robustez institucional, o setor elétrico colombiano enfrenta desafios importantes, como:
- Dependência elevada da geração hidrelétrica
- Impactos decorrentes do fenômeno El Niño
- Necessidade de expansão das fontes renováveis não hídricas
- Reforço da infraestrutura de transmissão
Ainda assim, o país mantém um histórico de segurança no fornecimento, sustentado por regras de mercado claras e mecanismos de confiabilidade bem estabelecidos.
Todo o conteúdo do Canal Solar é resguardado pela lei de direitos autorais, e fica expressamente proibida a reprodução parcial ou total deste site em qualquer meio. Caso tenha interesse em colaborar ou reutilizar parte do nosso material, solicitamos que entre em contato através do e-mail: redacao@canalsolar.com.br.