O Peru possui um sistema elétrico estruturado em torno de um modelo misto, com forte participação do setor privado na geração de energia e supervisão regulatória do Estado. Nas últimas décadas, o país ampliou sua capacidade de geração e diversificou sua matriz energética, combinando usinas térmicas e fontes renováveis, especialmente hidrelétricas.
A expansão da infraestrutura elétrica acompanha o crescimento econômico e a demanda por energia, com políticas voltadas à segurança energética e ao desenvolvimento sustentável. Grande parte da eletricidade é fornecida pelo SEIN (Sistema Elétrico Interconectado Nacional), que integra as principais regiões produtoras e consumidoras de energia do país.
Predominância das hidrelétricas
Historicamente, a energia hidrelétrica tem sido a base do sistema elétrico peruano. O país possui um elevado potencial hídrico devido à presença da Cordilheira dos Andes e à grande quantidade de rios que percorrem o território.
Entre as principais usinas hidrelétricas estão:
- Mantaro, em Huancavelica, região central;
- Cerro del Águila, na província de Tayacaja, região central;
- Chaglla, em Huánuco, região central.
Essas usinas fornecem uma parcela significativa da eletricidade consumida no país e ajudam a manter a estabilidade do sistema. Além disso, a geração hidrelétrica contribui para reduzir as emissões de carbono e diminuir a dependência de combustíveis fósseis.
Gás natural na geração térmica
Além da energia hidrelétrica, o Peru também possui um parque térmico relevante, principalmente movido a gás natural. A exploração do campo de gás de Camisea, localizado na província de La Convención, região de Cusco, iniciada no início dos anos 2000, permitiu expandir significativamente a capacidade térmica do país.
O principal complexo gerador que utiliza esse gás é o Complexo Termoeléctrico de Kallpa, em Lima, embora algumas unidades possam operar com diesel ou óleo combustível como fonte complementar. Essas usinas desempenham um papel estratégico ao complementar a geração hidrelétrica, especialmente em períodos de seca.
Assim como acontece no Brasil, essas usinas desempenham um papel estratégico ao complementar a geração hidrelétrica, especialmente em períodos de seca e, consequentemente, de menor disponibilidade dos reservatórios.
Expansão das renováveis
Nos últimos anos, o Peru tem ampliado a participação de fontes renováveis em sua matriz elétrica, incluindo:
- Energia solar fotovoltaica;
- Energia eólica;
- Pequenas centrais hidrelétricas;
- Biomassa.
Projetos solares e eólicos têm sido desenvolvidos principalmente nas regiões costeiras e no sul do país, aproveitando radiação solar intensa e ventos constantes. Pequenas centrais hidrelétricas e biomassa complementam a geração em áreas rurais.
Atualmente, o mix energético do Peru é aproximadamente:
- Hidrelétrica: cerca de 55-60%. Segundo o MINEM (Ministério de Energia e Minas do Peru), as hidrelétricas continuam sendo a principal fonte de geração elétrica no país.
- Térmica (gás natural): aproximadamente 30-35%. As usinas térmicas complementam a geração hidrelétrica, especialmente em períodos de seca.
- Renováveis: cerca de 8-13% de geração solar, eólica, de pequenas hidrelétricas e biomassa, que cresce gradualmente como parte da diversificação da matriz elétrica.
- Outras fontes fósseis (diesel, carvão, óleo): menos de 1%. Essas fontes têm participação mínima na geração elétrica.
Essa diversificação busca tornar o sistema elétrico mais resiliente e sustentável, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e aumentando a segurança energética do país.
Leilões e regulação avançando
O crescimento das energias renováveis no Peru tem sido impulsionado por políticas públicas e mecanismos de contratação específicos. O governo promove leilões de energias renováveis, conhecidos como leilões RER (Recursos Energéticos Renováveis), que permitem a contratação de projetos de geração a longo prazo.
Esses processos têm sido importantes para estimular investimentos em energia solar e eólica no país. O principal marco regulatório que orienta esse avanço é o Decreto Legislativo Nº 1002, de 2008, que promove a geração de eletricidade a partir de Recursos Energéticos Renováveis e estabelece incentivos como prioridade de despacho e acesso à rede, bem como a base legal para leilões RER.
A regulamentação deste decreto pelo Decreto Supremo Nº 050‑2008‑EM detalha os mecanismos de contratação de projetos renováveis. Além disso, emendas à Lei Nº 28.832 ampliaram o quadro legal para permitir leilões competitivos entre todas as tecnologias de geração, consolidando um ambiente regulatório mais aberto para energias limpas.
Estrutura institucional
O setor elétrico peruano conta com diversas instituições responsáveis pelo planejamento, operação e regulação do mercado. As principais são:
- MINEM (Ministério de Energia e Minas): responsável pela formulação da política energética e pelo planejamento estratégico do setor.
- OSINERGMIN (Organismo Supervisor de la Inversión en Energía y Minería): regulador que supervisiona o funcionamento do mercado elétrico, estabelece normas técnicas e regula tarifas.
- COES (Comité de Operación Económica del Sistema Interconectado Nacional): responsável pela operação técnica do sistema elétrico interligado e pela coordenação da geração de energia.
Transmissão e distribuição
A rede de transmissão de alta tensão conecta as principais usinas de geração aos centros de consumo, enquanto concessionárias regionais são responsáveis pela distribuição de energia aos usuários finais.
Nos últimos anos, o Peru tem investido significativamente na expansão da infraestrutura elétrica para melhorar a capacidade de transmissão, a qualidade do serviço e o acesso à energia em regiões rurais e isoladas.
Segundo o MINEM, o país implementa planos de expansão da rede elétrica desde pelo menos 2023, por meio do Plano de Transmissão 2023-2032 e sua continuação no Plano 2025–2034, com foco em fortalecer o SEIN e garantir confiabilidade no suprimento.
Ainda de acordo com MINEM, em 2025 foi lançado um pacote de 16 projetos de transmissão com valor total estimado em US$ 896 milhões, que beneficiarão cerca de 8 milhões de habitantes em 13 regiões do Peru.
Investimentos adicionais em expansão do sistema elétrico nacional chegam a US$ 159 milhões em 2025, para construção de novas linhas e modernização de subestações, incluindo mais de 420 km de linhas de transmissão de alta tensão, segundo informações da imprensa especializada Switchgear Magazine.
Finalmente, de acordo com o IDB Invest, um empréstimo de US$ 76,1 milhões financia cerca de 250 km de linhas de transmissão em regiões como Arequipa, Piura e San Martín, com foco em levar eletricidade a comunidades remotas.
Tarifas e funcionamento do mercado
O mercado elétrico do Peru opera em um modelo regulado com participação privada. As tarifas de eletricidade são definidas com base nos custos de geração, transmissão e distribuição, sob supervisão do órgão regulador.
Grandes consumidores, como indústrias e empresas de grande porte, podem firmar contratos diretamente com geradores de energia, enquanto consumidores residenciais e comerciais pagam tarifas reguladas.
Desafios
Mesmo com avanços importantes, o setor elétrico do Peru ainda enfrenta desafios estruturais apontados por instituições nacionais e organismos internacionais especializados em energia.
Expansão das redes de transmissão
De acordo com estudos técnicos do COES, operador do SEIN, a expansão da infraestrutura de transmissão é necessária para acompanhar o crescimento da demanda e a entrada de novas centrais geradoras.
Diagnósticos do sistema indicam a possibilidade de congestionamentos em determinados corredores elétricos e a necessidade de reforçar linhas e subestações para garantir o equilíbrio entre geração e consumo no território peruano.
Maior integração de energias renováveis
Segundo análises da IFC (International Finance Corporation), instituição do Grupo World Bank, a expansão de fontes renováveis variáveis, como solar e eólica, exige investimentos adicionais em infraestrutura elétrica, maior flexibilidade operacional do sistema e soluções como armazenamento de energia.
Esses elementos são considerados fundamentais para permitir que sistemas elétricos interligados integrem fontes intermitentes mantendo estabilidade e confiabilidade no fornecimento de eletricidade.
Ampliação do acesso à eletricidade em áreas remotas
O desafio da universalização do acesso à eletricidade também permanece no país. Segundo o MINEM, ainda existem lacunas de atendimento em regiões rurais e isoladas, especialmente na Amazônia peruana.
Programas de eletrificação rural conduzidos pelo governo buscam ampliar o acesso à energia nessas áreas por meio da expansão da rede e da adoção de soluções descentralizadas, como microrredes e sistemas de geração distribuída.
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