A escalada militar no Oriente Médio pode eventualmente ter reflexos indiretos sobre o LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade) programado pelo governo brasileiro para este mês, especialmente no que diz respeito ao custo e à logística do gás natural utilizado por usinas termelétricas que disputarão o certame.
O mercado internacional iniciou a semana sob expectativa de alta no preço do petróleo após ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, seguidos por bombardeios iranianos a países como Emirados Árabes Unidos e Qatar, entre outros da região.
O ponto mais sensível da crise é o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, rota estratégica para o escoamento de petróleo e gás do Oriente Médio. A capacidade de desvio por rotas alternativas é considerada limitada e os impactos dependerão da duração do bloqueio e de eventuais gargalos logísticos.
Gás natural também entra no radar
Além do petróleo, o conflito afeta o mercado global de gás natural. Segundo Adriano Pires, diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), a elevação do preço do petróleo tende a pressionar também o gás, especialmente porque o Estreito de Ormuz é rota relevante para o transporte de GNL do Catar, atualmente o maior produtor mundial desse insumo.
Pires observa que o impacto dependerá da intensidade e da duração do conflito. Ele ressalta que o Brasil importa GNL e que há usinas a gás concorrendo no leilão de capacidade, o que pode trazer reflexos nos preços ofertados.
No entanto, pondera que o mercado internacional de O&G está atualmente ofertado, e que eventual alta pode ser temporária caso a guerra não se prolongue. O consultor destaca ainda que o principal fornecedor de GNL ao Brasil não é o Catar, mas os Estados Unidos, via produção de shale gas.
Ainda assim, admite que conflitos dessa magnitude afetam todas as fontes energéticas, dada a interdependência dos mercados globais.
Leilão acontece em duas etapas
Nesse cenário, o governo brasileiro realiza em março dois LRCAPs com datas confirmadas para os dias 18 e 20. Conforme dados da EPE (Empresa de Pesquisas Energéticas), a primeira etapa, marcada para 18 de março, será destinada a usinas a gás natural, carvão mineral e ampliações de hidrelétricas.
Já a segunda etapa, em 20 de março, será exclusiva para térmicas a óleo combustível, diesel e biodiesel já existentes. O objetivo do leilão é contratar potência e não apenas energia, garantindo que o SIN (Sistema Interligado Nacional) tenha usinas disponíveis para atender picos de demanda e situações críticas.
Forte adesão do mercado
Os números de projetos cadastrados indicam o alto interesse do setor. Na etapa de 18 de março, foram inscritos 330 empreendimentos, totalizando 120.386 MW. Desse total, 311 são térmicas a gás natural, três a carvão e 16 ampliações hidrelétricas.
Já a etapa de 20 de março, conta com 38 projetos inscritos, somando 5.890 MW, dos quais 18 térmicas a óleo e 20 a biodiesel. Somadas as duas etapas reúnem 368 projetos e 126.276 MW (126,3 GW) de potência cadastrada, volume superior à necessidade de contratação.
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