A indústria de energia solar no Brasil tem se consolidado como uma alternativa estratégica para a geração de energia limpa, e empresas como a DAH Solar têm desempenhado um papel fundamental nesse processo.
Para atender a um mercado em expansão e com condições específicas, a adaptação das soluções tecnológicas é essencial.
Em entrevista ao Canal Solar, Fernando Calenzani, Engenheiro de Aplicações da DAH Solar, explicou como a companhia trabalha para entregar soluções eficientes, superando as dificuldades de integrar tecnologia de ponta com a realidade local.
Segundo Calenzani, o processo de adaptação começa muito antes do lançamento dos produtos no Brasil.
A empresa já se prepara para as particularidades do mercado brasileiro, como a variação de tensão elétrica e as condições climáticas, para garantir que seus produtos atendam às exigências locais de forma eficaz.
“Quando lançamos no mercado, já levamos em consideração toda a questão de tensão, temperatura e outros fatores críticos. O integrador recebe o produto preparado e pronto”, explicou.
Planejamento
Calanzani destaca ainda que esse planejamento antecipado não se limita às questões técnicas, mas também envolve uma análise cuidadosa de impostos, regulações e exigências legais, o que ajuda a evitar surpresas no futuro.
“Desde o início, buscamos alinhar todos os testes e ajustes antes de chegar ao mercado, aproveitando o feedback das estações beta e até mesmo dos testes feitos na China.”, enalteceu.
Outro grande desafio para a DAH Solar, de acordo com Calenzani, é a comunicação entre as equipes brasileiras e chinesas.
Trabalhando diretamente com equipes de pesquisa e desenvolvimento na China, ele destaca a importância de adaptar as soluções às necessidades dos consumidores brasileiros, levando em consideração as diferenças culturais e as especificidades do mercado local.
Nesse contexto, seu papel é garantir que a visão do cliente final, integrador e distribuidor seja traduzida de maneira eficaz para os desenvolvedores chineses, o que exige uma comunicação constante e uma visão detalhada das necessidades do mercado brasileiro.
“O meu trabalho é fazer a ponte entre as necessidades do cliente final brasileiro e os engenheiros chineses”, afirmou.
Inovações para o mercado brasileiro
A DAH Solar também tem investido em inovações que atendem à demanda por soluções mais simples e acessíveis no Brasil. Um exemplo disso é o Solar Unit, uma solução “plug and play”, que Calenzani acredita ser um grande avanço para o mercado nacional.
“No futuro, já temos o plano de expandir o Solar Unit com sistemas híbridos. Todo esse planejamento leva em consideração, o cliente final brasileiro”, disse.
Além disso, Calenzani observa que a instabilidade da rede elétrica nacional é um desafio importante para a adoção de novas tecnologias, mas também um fator que impulsiona a inovação no setor.
“Acredito que essa transição precisa ser muito mais suave do que na Europa, porque acho que os nossos integradores e distribuidores são muito fortes”, ressaltou.
Para ele, essa instabilidade do mercado, embora desafiadora, acaba favorecendo o surgimento de novas soluções tecnológicas, quando há instabilidade de mercado, as empresas começam a criar tecnologia e inovação, e isso é essencial para o avanço do setor.
Um exemplo de inovação, citado por Calenzani é o desenvolvimento do módulo solar fullscreen, criado para ser mais eficiente e adaptado às condições locais do Brasil. Fernando destaca que, ao longo prazo, as empresas que inovam são as que se destacam no mercado.
“Eu acredito que o fabricante a longo prazo é o que inova. Podemos ver várias empresas, não só no setor solar, mas em vários setores, que inovam e se tornam empresas duradouras. Uma empresa que pensa a longo prazo é a que está inovando e trazendo soluções que surgem em momentos de crise”, concluiu.
Crescimento do setor de armazenamento
Calenzani analisa o crescimento acelerado do setor de armazenamento, especialmente na China, onde o ambiente é favorável para o surgimento de novas empresas no setor.
Embora ainda não haja uma grande presença dessas empresas no Brasil, ele observa que, na Europa, é possível encontrar muitas empresas que ainda não atuam no país.
Ele também menciona como o governo chinês facilita a instalação de novas fábricas, oferecendo condições de financiamento atraentes, com juros baixos, o que torna o processo de montagem de fábricas e o início de operações muito mais acessível para as empresas.
“Na China, o governo ajuda a montar a fábrica e oferece financiamento. Toda grande empresa sabe que a taxa de juros lá é muito baixa. Então é possível montar uma fábrica, montar um time e já começar a exportar”, complementou.
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