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Diretor da ANEEL estima que energia solar chegará a 4% na matriz até 2030

Atualmente, cerca de 83% da eletricidade consumida pela população brasileira é proveniente de fontes renováveis

Autor: 31 de março de 2021Brasil
Diretor da ANEEL estima que energia solar chegará a 4% na matriz até 2030

A presença das renováveis na matriz elétrica do Brasil se encontra hoje num patamar acima dos demais países do mundo. Essa é a avaliação do engenheiro eletricista Hélvio Guerra, diretor da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).

“A nossa matriz elétrica apresenta uma condição ambiental privilegiada, estando entre as mais sustentáveis do mundo (…) O Brasil já chegou onde muitos países levarão anos para conseguir chegar com seus programas de transição energética. Nós brasileiros devemos nos orgulhar dessa condição”, afirmou durante o ANEELcast, podcast da Agência.

Segundo Guerra, a condição privilegiada na qual o país se encontra, é fruto, sobretudo, das hidrelétricas. “Hoje, 83% da eletricidade que consumimos é proveniente de fontes renováveis. Dos 186 GW instalados, 58% são de usinas hidrelétricas; 7% de biomassa; 9% de eólicas; 2% de fotovoltaicas; e outros 7% de geração distribuída e autoprodução de energia”, afirmou.

Ainda de acordo com ele, a ANEEL estima que as fontes renováveis passarão a representar 85% da matriz elétrica brasileira até o fim desta década, com destaque para a fonte solar. 

“Em 2030, ainda teremos predominância das hidrelétricas com 49%, mas destaco o crescimento esperado para as fotovoltaicas – que devem chegar a 4% – e para as eólicas, que devem seguir o mesmo ritmo de crescimento, podendo chegar a 13%”, destacou. 

Contraponto

Para a ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Fotovoltaica), a estimativa apresentada por Guerra, no que diz respeito à expansão das fontes renováveis na matriz energética é positiva.

A entidade acredita ainda que essa expansão será impulsionada, em especial, pela solar e, que até o fim desta década, as fontes renováveis aumentarão expressivamente sua presença na matriz elétrica do país. 

Porém, a entidade questiona a previsão do diretor da ANEEL de que menos de 5% da matriz elétrica será oriunda de fontes fotovoltaicas até 2030. Segundo Rodrigo Sauaia, presidente da ABSOLAR, a tendência é de que esse número seja maior.

“Acreditamos que a participação da expansão da geração centralizada vai ser maior que essa que foi apresentada no planejamento e que essa fração maior da energia solar fotovoltaica na expansão da matriz elétrica brasileira ajudará a reduzir o preço da energia para o consumidor final”, explicou.

Já em relação à afirmação de Guerra de que o Brasil é hoje uma referência na geração de fontes renováveis, Sauaia pontuou que o país, na verdade, saiu na frente dos demais no passado por causa do grande investimento feito em hidrelétricas.

Mas, ele alertou que a mudança climática pode diminuir o potencial dessa fonte no país e destacou a importância de diversificar a matriz elétrica para não depender exclusivamente da fonte hídrica.

Como o regime de chuvas tem mudado, é fundamental que haja um processo de diversificação do portfólio de fontes renováveis para evitar uma concentração de risco de escassez e um aumento nos custos de operação quando faltar água”, explicou. 

Leia também: Baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas reforça importância da energia solar

De acordo com ele, uma matriz elétrica 83% renovável sempre foi um diferencial do Brasil em relação ao resto do mundo. Porém, outros países, como os Estados Unidos, estão se organizando para que suas matrizes elétricas se tornem 100% renováveis em poucos anos. 

“A pergunta que fica nesse sentido é: o Brasil vai parar no tempo e continuar com apenas 85% de matriz renovável até 2030? Vamos deixar os outros países passarem na nossa frente? Eu acho que é preciso virar uma chave na visão de governo para que continuemos sendo a liderança renovável que, por enquanto, ainda somos”.

Henrique Hein

Henrique Hein

Jornalista graduado pela PUC-Campinas, com experiência em reportagem diária e produção de conteúdo em mídias: impressa, online, rádio e televisiva.

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