A Enel São Paulo divulgou dados incompletos sobre o apagão ocorrido na capital paulista e em municípios da Região Metropolitana em dezembro de 2025. Em documento encaminhado à ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), a concessionária admitiu que o número de clientes afetados foi duas vezes maior do que o informado oficialmente.
Segundo a distribuidora, aproximadamente 4,4 milhões de imóveis tiveram o fornecimento interrompido ao longo do evento – volume que representa mais da metade dos 8,5 milhões de consumidores atendidos pela empresa na Grande São Paulo.
À época do apagão, a Enel havia informado que cerca de 2 milhões de clientes haviam sido impactados. A concessionária justificou à ANEEL que parte do sistema de contagem de clientes ficou fora do ar durante os dias do apagão, o que comprometeu o acompanhamento em tempo real do número de desligamentos.
Além disso, os dados enviados à Agência indicam que nem todas as equipes atuaram de forma contínua durante o apagão, diferentemente do que havia sido comunicado anteriormente pela empresa. Gráficos encaminhados à ANEEL mostram que, na madrugada do dia 10 de dezembro, o número de equipes em atuação era próximo de zero, com maior concentração de profissionais ao longo do dia.
Já na madrugada do dia 11, período em que se registrava o maior número de clientes sem energia, não havia equipes leves (com motocicletas) em campo, e o contingente de equipes pesadas (com caminhões) era de cerca de 200 em toda a Região Metropolitana de São Paulo.
As informações contrastam com declarações feitas pela empresa durante a crise, quando a Enel São Paulo afirmou que mantinha equipes trabalhando 24 horas por dia, com sobreposição de turnos. Após receber os dados, a ANEEL informou que as informações enviadas pela concessionária serão analisadas por equipes técnicas da agência, e que as apurações seguem em andamento.
Processo de cassação
No dia 16 de dezembro, os governos do Estado de São Paulo, Federal e a Prefeitura da Capital firmaram um acordo para solicitar à ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) a decretação da caducidade do contrato de concessão da Enel para o fornecimento de energia elétrica em 24 municípios paulistas.
A decisão foi tomada durante uma reunião realizada no Palácio dos Bandeirantes, liderada pelo governador Tarcísio de Freitas, com a participação do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. A ANEEL retomará as discussões, em fevereiro, sobre a análise do processo de fiscalização que pode levar à cassação do contrato da concessionária.
Nesta terça-feira (13), um despacho assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou que órgãos do Governo Federal apurem falhas recorrentes no fornecimento de energia elétrica pela Enel. No documento, o presidente atribui responsabilidades ao MME (Ministério de Minas e Energia), à AGU (Advocacia-Geral da União), à CGU (Controladoria-Geral da União) e à própria ANEEL.
O histórico recente da concessionária reforça a decisão. Apenas entre 2024 e 2025, a Enel São Paulo registrou a maior média mensal de reclamações na Ouvidoria da ANEEL entre as distribuidoras paulistas. No últimos sete anos, a empresa acumulou multas superiores a R$ 400 milhões, sem que houvesse melhora efetiva na qualidade da prestação do serviço à população.
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