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Início / Artigos / Artigo de Opinião / Energia solar cresce para ser a segunda maior fonte do Brasil

Energia solar cresce para ser a segunda maior fonte do Brasil

Com grande irradiação solar e diante do fim do período de transição, o Brasil caminha para novos recordes de adesão à solar
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  • Foto de Gustavo Tegon Gustavo Tegon
  • 14 de novembro de 2022, às 10:31
5 min 52 seg de leitura

Mesmo antes de 2022 acabar, já podemos confirmar que é o melhor ano da energia solar já registrado na última década no Brasil. De um ano para cá, a geração distribuída saltou de 8,4 GW para 14 GW de potência instalada, resultando em um crescimento de 66,7%.

Graças ao período de transição do Marco Legal da GD até janeiro de 2023, e fatores como o alto custo da energia elétrica, não foram só as instalações que cresceram, mas também os investimentos.

Do final de 2021 até este mês, os investimentos foram de R$ 42,4 bilhões para R$ 76,7 bilhões, um aumento de 80,9%. O Brasil se tornou o 4º país que mais investiu em energia solar. Há menos de 80 dias do fim do período de transição, podemos esperar um crescimento ainda maior para o setor. Afinal, são muitos os que deixam para a última hora.

Nesse sentido, você que é representante comercial de energia solar ainda pode ter a expectativa de um grande número de consumidores residenciais (que representam 78,4% das conexões) e pequenos negócios para os próximos meses. Hoje, reúno neste artigo os números mais recentes sobre o crescimento da energia solar no Brasil. O objetivo é atualizar você e apontar as oportunidades que virão. Boa leitura!

Energia solar prestes a ultrapassar a eólica

Ao ultrapassar a marca de 14 GW, a GD já superou a geração da maior hidrelétrica das Américas, a Itaipu. Por enquanto, de um modo geral, a hidrelétrica ainda é responsável pela maior parte da produção de energia no Brasil, seguida pela fonte eólica.

A questão é que o segundo lugar poderá ser ocupado pela fonte solar em breve. Sendo hoje a terceira colocada, a energia solar conta com mais de 20,2 GW de capacidade instalada. A expectativa é que, até o final do ano, a matriz solar fotovoltaica ultrapasse a fonte eólica.

Desse modo, as fontes renováveis aumentarão sua participação na matriz energética brasileira. De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), a tendência é de um aumento de 2,5% para 4,1% na participação da fonte solar fotovoltaica na oferta interna de energia elétrica do Brasil.

Os benefícios são sentidos no bolso do consumidor, e refletem de forma ampla não só nas questões sociais e econômicas, mas também ambientais. Ao se tratar de uma fonte de energia renovável, a energia solar foi capaz de evitar a emissão de 23,6 milhões de toneladas de CO2 na geração de eletricidade.

Por que o Brasil avança tanto em solar?

Não é novidade que o alto custo da energia elétrica, devido à crise hídrica, leva o consumidor a buscar outras alternativas. Porém, uma boa notícia é que o próprio preço do sistema solar vem se tornando cada vez mais democrático. A redução do custo da tecnologia faz com que os sistemas se mostrem mais viáveis para um número maior de pessoas e empresas.

Prova disso é que mais da metade dos novos sistemas são investimentos de famílias de classe C e D. Até mesmo a presença das PMEs como grandes consumidoras de energia solar aponta que os painéis já não são um luxo para poucos.

Também não se pode ignorar o quanto o Brasil é privilegiado em irradiação solar. À medida que as fontes renováveis se tornam mais competitivas e se expandem, instalar sistemas solares no Brasil não é uma tarefa desafiadora.

Afinal, nossos níveis de irradiação solar se mostram superiores aos de países como a Alemanha, França e Espanha, que também transitam para a fonte fotovoltaica, mas com um clima bem menos ensolarado.

É por essa razão que gigantes como a Amazon pretendem expandir projetos de energia solar em nosso país. A varejista anunciou neste mês de outubro que adicionará 2,7 GW em capacidade de energia limpa ao redor do mundo, o que inclui uma fazenda fotovoltaica no Brasil.

Isso se deve ao objetivo da Amazon de utilizar 100% de energia renovável nos negócios até 2025.

Vale lembrar que após o Acordo de Paris, na COP 21 em 2015, a preocupação com a geração de energia por fontes renováveis ganhou força. O Brasil assumiu o compromisso de redução de emissões de gases de efeito estufa, em 2025 e 2030, respectivamente, em 37% e 43% (em relação aos níveis de 2005).

O que esperar da transição energética

Após o mundo enfrentar os efeitos da pandemia e da guerra na Ucrânia, a corrida pela Transição Energética deverá se intensificar ainda mais para combater as mudanças climáticas. Embora esse processo ainda seja recente, especialistas apontam que a segurança energética será um dos principais temas para os próximos anos.

É o que afirma a Agência Internacional de Energia (AIE), em seu mais recente relatório. No documento, foi possível perceber que o consumo de carvão alcançou o maior nível já registrado em 2022, o que representa um alerta para os países que buscam conter emissões de gases poluentes.

Diante da guerra na Ucrânia, o mundo se atentou à necessidade de conciliar a preocupação climática com a de fornecimento de energia. Assim, a busca por uma transição energética com mais segurança levará à construção de matrizes energéticas mais diversificadas.

Nosso papel na segurança energética

Se o preço do petróleo continuar alto, é uma certeza que a transição energética continuará ganhando força. Mesmo diante da sobrevida do carvão, ficou claro que as fontes não renováveis perderam espaço ao longo dos anos, passando a serem consideradas fontes temporárias. Nós, como vendedores de energia solar, somos a fonte direta de informação para os consumidores. Temos a oportunidade e a missão de incentivar essa matriz.

Com a democratização dos preços dos sistemas solares, essa é a hora de dar atenção especial às classes C e D, destacando a economia e as crescentes possibilidades de financiamentos facilitados.

Para as empresas, é indispensável argumentar sobre o movimento mundial de empresas priorizando o alinhamento à agenda ESG, da ONU. Pode parecer um conceito distante, mas o mundo do futuro não terá espaço para empresas que não se preocupam em contribuir para os avanços ambientais, sociais e de governança.

Por isso, proponho que sejamos protagonistas da transição segura de matriz energética no Brasil. Novas oportunidades ainda se multiplicarão pelos próximos anos, mas o fechamento dos negócios depende do quanto seremos capazes de demonstrar o valor agregado da energia solar.

Felizmente, o que não faltam são argumentos e provas de que a solar veio para ficar. E você, o que espera para os próximos anos da energia solar no Brasil?

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Foto de Gustavo Tegon
Gustavo Tegon
Sócio e Diretor de Negócios do Grupo Canal Solar. Formado em Negócios Internacionais e com MBA em Gestão e Negócios pela Universidade Metodista de Piracicaba. Com grande experiência em geração distribuída, liderou os fabricantes BYD, Jinko e Canadian Solar no Brasil.
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