Produtores de peixes do Paraná enfrentam problemas com interrupções e oscilações no fornecimento de energia elétrica, que comprometem o funcionamento de equipamentos essenciais à atividade e provocam prejuízos financeiros.
Na piscicultura, a eletricidade é fundamental para manter aeradores e outros equipamentos responsáveis pela oxigenação da água. Quando há falhas no fornecimento, esses sistemas podem deixar de funcionar, colocando em risco a sobrevivência dos peixes e o desempenho da produção.
Um dos casos mais graves ocorreu em São João do Ivaí, no Norte do Estado, onde cerca de 450 mil peixes, equivalentes a 230 toneladas, morreram em uma propriedade rural após uma interrupção no fornecimento de energia.
Segundo informações divulgadas pela FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), o fornecimento na propriedade foi interrompido no dia 29 de setembro e restabelecido somente no dia seguinte, cerca de 23 horas depois.
Durante esse período, o gerador utilizado para manter os equipamentos funcionando também apresentou problemas. O equipamento sofreu uma pane que danificou dois motores de arranque e a placa de automação, resultando em um custo de R$ 20 mil para reparos.
Sem o funcionamento adequado dos aeradores, o produtor Edilson Pini, sua esposa e dois funcionários tentaram manter a oxigenação dos viveiros por meios alternativos, incluindo o uso de oxigênio granulado. As medidas, porém, não foram suficientes para evitar a morte dos animais.
A propriedade, que atua na piscicultura há cerca de 40 anos, produz 800 toneladas de peixes por ano, distribuídas em 15 viveiros. A perda compromete a produção prevista para os próximos quatro meses e coloca em risco contratos comerciais, incluindo o fornecimento de pescado para a alimentação escolar de 22 municípios paranaenses. Os prejuízos somam R$ 2,5 milhões.

Problema atinge outros produtores
O problema, entretanto, não se restringe a São João do Ivaí, segundo a FAEP. A entidade relata dificuldades enfrentadas por piscicultores de diferentes regiões do Paraná, incluindo interrupções prolongadas e oscilações frequentes de tensão.
Na região de Marechal Cândido Rondon, por exemplo, produtores relatam variações no fornecimento principalmente no fim da tarde e no início da noite. Nessas situações, a tensão pode cair sem que haja uma interrupção completa, impedindo o acionamento automático dos geradores.
Além disso, dispositivos de proteção podem bloquear a partida dos aeradores para evitar danos aos motores, comprometendo a oxigenação dos tanques. Segundo a entidade, os problemas também elevam os custos de produção, devido ao consumo de diesel, à manutenção dos geradores e ao desgaste dos equipamentos elétricos.
“Quando a energia falha, o peixe sofre com a oxigenação da água. Com baixa oxigenação, o resultado do ciclo é comprometido: o ganho de peso diário cai e o peixe fica mais dias nos tanques até ser entregue”, explica o presidente da Comissão Técnica de Aquicultura do Sistema FAEP, Edio Chapla.
Segundo o dirigente, que também é piscicultor, são muitos os relatos de produtores com dificuldades pelo fornecimento deficitário de energia elétrica em todo o Estado.
“Isso causa transtornos que vão para além da parte econômica. Tem impactado na parte psicológica. O produtor vive com a intranquilidade de saber se o gerador vai entrar, se o equipamento vai ligar e tendo que correr atrás desse fornecimento de energia. É uma tortura”, frisou Chapla.
Baterias como alternativa
Entre as tecnologias que podem reduzir os impactos das interrupções estão os sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS), capazes de armazenar eletricidade para utilização durante falhas no fornecimento da rede.
Na piscicultura, esses sistemas podem alimentar equipamentos essenciais, como aeradores e bombas, durante períodos determinados, conforme a potência necessária e a capacidade de armazenamento instalada. As baterias também podem funcionar em conjunto com sistemas fotovoltaicos e geradores a diesel, permitindo diferentes configurações de fornecimento de energia de reserva.
A autonomia depende do dimensionamento do sistema, do consumo dos equipamentos e da duração das interrupções. Para manter o funcionamento durante falhas ou oscilações de tensão, também são necessários dispositivos adequados de controle, proteção e transferência de energia.
O que diz a Copel?
Em posicionamento enviado à imprensa, a Copel informou que as tempestades registradas no dia 29 de setembro afetaram o fornecimento de energia em 173,7 mil unidades consumidoras no Paraná. Em São João do Ivaí e municípios vizinhos, a distribuidora registrou 385 ocorrências relacionadas ao tema.
Segundo a companhia, após ser acionada pelo cliente na tarde de 29 de setembro, cinco equipes foram mobilizadas para atender à ocorrência. Os trabalhos envolveram a reconstrução de trechos da rede elétrica danificados pelo rompimento de cabos, quebra de postes e queda de galhos sobre as linhas de distribuição.
A distribuidora acrescentou ainda que, entre setembro e o início de outubro, o Paraná registrou cinco eventos climáticos consecutivos de grande intensidade em um intervalo de 35 dias, provocando danos à infraestrutura elétrica em diferentes regiões.
A Copel afirmou ainda que mantém investimentos na rede de distribuição e um plano de contingência com ações de prevenção, monitoramento em tempo real e medidas para restabelecer fornecimentos de energia na região.
Plano Safra passa a financiar sistemas de armazenamento de energia no campo
Todo o conteúdo do Canal Solar é resguardado pela lei de direitos autorais, e fica expressamente proibida a reprodução parcial ou total deste site em qualquer meio. Caso tenha interesse em colaborar ou reutilizar parte do nosso material, solicitamos que entre em contato através do e-mail: redacao@canalsolar.com.br.
Comentários
Os comentários são moderados antes da publicaçãoOs comentários devem ser respeitosos e contribuir para um debate saudável. Comentários ofensivos poderão ser removidos. As opiniões aqui expressas são de responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a posição do Canal Solar.