O aumento das taxas de importação e a maior atenção às políticas de incentivo à indústria nacional têm reposicionado o Finame, linha de financiamento do BNDES, como um dos principais instrumentos de viabilização de projetos fotovoltaicos no Brasil.
O movimento ocorre em um momento em que integradores e consumidores finais buscam soluções que aliem competitividade, previsibilidade financeira e maior grau de nacionalização.
Fabricantes com operação industrial no país, como a Livoltek, passam a se beneficiar diretamente desse cenário. Com produção nacional de inversores e sistemas de carregamento de veículos elétricos, a empresa atende aos critérios exigidos pelo BNDES, que permite que distribuidores e integradores estruturem projetos com acesso a condições de crédito mais vantajosas por meio das linhas de financiamento subsidiadas do banco.
Uma vez que os objetos financiados são comercializados como Gerador Solar Fotovoltaico (muito conhecido como “kit solar”), o alto grau de nacionalização dos inversores da Livoltek possibilita aos distribuidores cadastrarem geradores no sistema FINAME sem a necessidade de módulos fotovoltaicos nacionais, o que os deixa mais competitivos em preço para o consumidor final que as opções disponíveis no mercado até recentemente.
Questionada, a empresa afirma que já estão disponíveis geradores fotovoltaicos com equipamentos já autorizados para aquisição por meio de crédito FINAME na SUNO Distribuidora e, em breve, mais distribuidores terão geradores homologados.
Segundo Marcelo Leite, Sales Manager da Livoltek, a exigência principal está ligada à presença de produtos nacionais na composição desses kits. “Para ter o código Finame, a distribuidora precisa trabalhar com produto fabricado no Brasil”, explica.
Ele detalha que as regras variam conforme a potência dos sistemas. De acordo com as regras do Finame, os kits fotovoltaicos são divididos em três níveis, conforme a potência do sistema.
Nos projetos de até 75 kW, é obrigatório o uso de inversor, cabos e conectores de fabricação nacional, enquanto os módulos fotovoltaicos podem ser importados.
A mesma lógica se aplica aos sistemas entre 75 kW e 375 kW, mantendo a exigência de componentes nacionais nos principais itens elétricos, com liberdade para utilização de módulos importados.
Já nos sistemas acima de 375 kW, o critério deixa de ser por item e passa a ser financeiro. Segundo leite, nesse caso, ao menos 30% do valor total do kit deve corresponder a produtos fabricados no Brasil, independentemente da origem dos módulos, desde que os demais componentes atendam às regras de nacionalização.
Para o executivo, na prática, isso faz com que inversores, estruturas e cabos nacionais sejam suficientes para atender ao critério, uma vez que esses itens passam a representar uma parcela significativa do valor total do sistema.
Esse movimento de valorização da fabricação local também se reflete na estratégia industrial da companhia. A Livoltek confirmou a construção de uma nova planta fabril dedicada à fabricação de sistemas BESS em Fortaleza (CE), com previsão de início de operações em agosto de 2027.
A expectativa é que a expansão gere cerca de 300 empregos diretos e 700 indiretos, visando atender à crescente demanda por sistemas de armazenamento de energia.
Com os inversores já habilitados ao Finame credenciados por meio BNDES que permite acesso a linhas de financiamento específicas, a empresa aposta na fabricação local como forma de atender à demanda crescente por equipamentos com vantagens logísticas e fiscais.
De acordo com a companhia, o planejamento prevê o aumento da capacidade produtiva, prazos de entrega menores e suporte técnico local, além de maior integração com distribuidores.
Segundo a Livoltek, a produção nacional também atende aos critérios exigidos por bancos públicos e privados no financiamento de sistemas fotovoltaicos, o que reforça o papel estratégico do Finame na expansão do setor.
“A ampliação da unidade ocorre em um momento de consolidação da geração distribuída e de busca por soluções com maior nacionalização, especialmente em projetos de médio e grande porte”, enfatizou.
Finame: o que é e como financiar equipamentos fotovoltaicos?
O principal diferencial do FINAME, no entanto, está nas condições financeiras oferecidas ao cliente final. O programa permite prazos longos de pagamento, carência estendida e taxas inferiores às praticadas no mercado convencional.
“O cliente pode ter até 120 meses para pagar o financiamento, com até 36 meses de carência para início dos pagamentos. A taxa envolve uma parcela do BNDES somada à do agente financeiro, o que resulta em um custo final considerado competitivo frente a outras linhas de crédito”, afirma o executivo.
Agronegócio lidera adesão
Embora o Finame seja amplamente utilizado no agronegócio, o programa não se limita a esse segmento. Ele pode ser acessado por empresas de todos os portes, pessoas físicas, cooperativas, administrações públicas e até condomínios.
Ainda assim, Leite reforça que o protagonismo do agro está ligado à cultura de financiamento já consolidada no setor.
“O produtor rural está acostumado a financiar máquinas, equipamentos e a própria operação. Apesar das vantagens, o programa ainda é pouco explorado por parte do mercado solar. O principal entrave está na falta de informação ao longo da cadeia”, destaca.
“Se o integrador não apresenta o Finame, muitos projetos simplesmente deixam de acontecer. Como o financiamento precisa ser solicitado pelo cliente final, integradores e distribuidores precisam dominar o programa para apresentá-lo de forma clara”, avalia, ressaltando a necessidade de alinhamento entre fabricantes, distribuidores e integradores para garantir que todos os componentes estejam corretamente registrados.
E por fim, Leite reforça que o financiamento, embora importante, não deve ser visto como o único critério de escolha. “O Finame é a cereja do bolo”, afirma. Para ele, o diferencial está no conjunto: produção nacional, investimentos no país, estrutura de pós-venda e presença local, fatores que ganham ainda mais peso com a expansão da empresa.
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