O mercado de energia solar na América Latina vive um momento de transição, marcado por desafios estruturais, como o curtailment e limitações na rede elétrica, ao mesmo tempo em que novas tecnologias e demandas energéticas abrem oportunidades relevantes para o setor.
Em entrevista, Claudio Loureiro, Country Manager da GCL no Brasil, detalha a atuação da companhia na região, analisa o cenário atual do mercado e aponta caminhos para o desenvolvimento sustentável da indústria fotovoltaica nos próximos anos.
Como a GCL avalia sua participação atual no mercado solar na América Latina?
A GCL Systems Integration atua no mercado latino-americano há quase 10 anos e já acumula mais de 1 GWp instalado desde 2017, com forte presença no Brasil, tanto em geração distribuída quanto em geração centralizada. Nossos módulos estão presentes em projetos de grande porte com desempenho consistente, frequentemente reconhecidos em rankings do setor e negociados entre grandes players do mercado.
É importante destacar que fazemos parte de um grupo que também atua na produção de silício grau solar, sendo o segundo maior fabricante global. Utilizamos a tecnologia proprietária FBR, que consome cerca de 75% menos energia em comparação ao processo tradicional Siemens, o que resulta em uma pegada de carbono significativamente menor.
Além do Brasil, temos atuação relevante em países como Colômbia e México, além de presença em mercados como Argentina, Chile, Peru e Caribe. Como fabricante registrado entre os dez maiores do mundo em 2025, nosso foco está na sustentabilidade do negócio nos pilares financeiro, ambiental e social.
E no restante da América Latina, quais são os destaques?
Observamos movimentos importantes em diferentes regiões. No Cone Sul, a Argentina surge como potencial mercado após extinção de subsídios, enquanto o Chile pode iniciar um novo ciclo de expansão das intermitentes com a adoção de sistemas de armazenamento.
Na região andina, a Colômbia continua relevante, apesar de desafios regulatórios, e países como Peru e Equador apresentam oportunidades, especialmente ligadas à mineração e aos altos custos de energia.
Já na América Central e Caribe, há expectativa de crescimento, com o México podendo avançar de forma mais consistente e outros mercados começando a adotar a energia solar de maneira mais estruturada.
Quais são os principais riscos e oportunidades para o setor atualmente?
Entre os riscos, destaca-se a tendência de curto prazo de maior uso de fontes fósseis, o que aumenta a dependência de commodities importadas e sua volatilidade. Além disso, os sistemas elétricos ainda não estão preparados para lidar com a intermitência das fontes renováveis, o que se reflete em desperdício significativo de energia e aumento de custos.
Por outro lado, a principal oportunidade está na regulamentação de novas tecnologias, especialmente sistemas de armazenamento. Há também uma tendência global de aumento do consumo de energia, impulsionado por fatores como eletrificação da mobilidade, inteligência artificial e expansão de data centers.
Como a GCL avalia o futuro da indústria solar diante desse cenário?
A indústria enfrenta desafios importantes relacionados ao excesso de capacidade produtiva. Hoje, há uma diferença significativa entre a capacidade instalada global de fabricação de módulos e a demanda real, o que pressiona preços e margens.
Esse cenário deve levar à consolidação do setor, com a saída de fabricantes que não investem em pesquisa e desenvolvimento. Ao mesmo tempo, novas tecnologias devem impulsionar a próxima fase de crescimento.
Entre elas, destacam-se a evolução das células TopCon, o avanço de soluções Back Contact e o desenvolvimento de tecnologias como Perovskita Tandem, que prometem ultrapassar os limites atuais de eficiência das células de silício.
Para encerrar: qual tendência ainda está sendo subestimada pelo mercado?
O setor ainda subestima a velocidade com que a demanda por energia vai crescer, especialmente com o avanço da inteligência artificial e dos data centers. Esse aumento exigirá planejamento energético mais robusto e maior integração de tecnologias como armazenamento.
Isso já foi vivenciado no passado com projeções conservadoras da fonte solar quando efetivamente dobrava-se a capacidade ano a ano. Infelizmente, sem planejamento realista, continuaremos enfrentando situações em que energia limpa é desperdiçada enquanto o custo para o consumidor final aumenta, um cenário que pode e deve ser evitado com políticas e decisões mais ágeis.
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