Uma escola conseguiu implantar um sistema fotovoltaico mesmo após enfrentar restrições de conexão impostas pela distribuidora, utilizando inversores da Canadian Solar associados à tecnologia com limitação de injeção de potência.
A solução permitiu limitar a potência máxima exportação à rede elétrica em 60 kW, conforme exigido pela concessionária de energia.
O sistema conta com aproximadamente 170 módulos fotovoltaicos de 550 Wp, totalizando potência instalada próxima de 93 kWp,a potência instalada permite melhor aproveitamento da geração ao longo do dia, especialmente nos períodos em que a carga interna da escola consegue absorver a energia produzida.
O inversor possui potência nominal próxima de 75 kW e foi instalado a cerca de 100 metros da subestação da unidade consumidora.
Já o controlador Grid Zero foi integrado diretamente a esse ponto de conexão, onde também estão o disjuntor geral e o medidor da distribuidora.
Para viabilizar o monitoramento do fluxo de energia, foram instalados três TCs (transformadores de corrente) e três TPs (transformadores de potência) na subestação.
Esses equipamentos medem a tensão e corrente do ponto de conexão, permitindo que o Grid Zero acompanhe em tempo real a energia consumida e injetada na unidade consumidora..
Marcelo Maia, Diretor técnico do Grupo VA Energia e responsável técnico pelo projeto, explica que o limite de injeção não está necessariamente relacionado ao comportamento real da unidade, mas sim a uma exigência da concessionária de energia.
Autoconsumo reduz a necessidade de atuação do sistema
A análise do perfil de consumo da escola mostrou que grande parte da energia gerada é utilizada internamente durante o período de funcionamento, reduzindo a probabilidade de ultrapassar o limite autorizado.
“Durante os dias úteis, quando as atividades estão em andamento, a carga elétrica absorve a maior parte da produção fotovoltaica. Já nos fins de semana e feriados quando a instituição permanece fechada e apenas cargas essenciais continuam ligadas a geração excedente aumenta e o sistema de limitação passa a atuar com maior frequência”, explicou Maia.
Mesmo nesses períodos, a restrição ocorre principalmente nas horas de maior irradiância solar, geralmente próximas ao meio-dia, quando a produção atinge o pico.
Maia reforça que a própria demanda da unidade ajuda a manter a exportação dentro do limite.
“Em momentos de alta produção, a escola pode ultrapassar o limite estabelecido pela concessionária. No entanto, quando a demanda local consome parte dessa energia, a exportação líquida permanece dentro do valor permitido, evitando a atuação do limitador”, acrescentou.
Limitação definida por exigência regulatória

De acordo com Maia, o valor máximo de exportação é definido pela distribuidora e não pelo dimensionamento técnico do sistema. O Grid Zero é programado para respeitar esse limite independentemente das condições operacionais da unidade.
O sistema monitora continuamente o ponto de entrega de energia na subestação e reduz automaticamente a geração sempre que a exportação se aproxima do valor autorizado pela concessionária de energia. Como o controle tem como referência os valores medidos no ponto de conexão, o ajuste ocorre de forma rápida e precisa.
Apesar da limitação, o especialista afirma que a atuação do equipamento é relativamente rara ao longo do dia, ocorrendo principalmente em períodos de baixa demanda combinados com alta irradiância solar.
Impacto econômico é reduzido
Mesmo com a restrição de exportação, a geração total e no retorno financeiro foram pouco impactados. Estima-se que a perda mensal de energia fique entre 3% e 5% em comparação a um sistema convencional sem limitações.
Segundo Maia, sem a necessidade de controle de injeção, o payback da escola será de aproximadamente três a quatro anos.
“Sem a necessidade de controle de injeção, o tempo de retorno do investimento seria de aproximadamente três a quatro anos. Com o Grid Zero, esse prazo permanece praticamente inalterado, já que a maior parte da energia continua sendo consumida no próprio local”, destacou.
Restrições por inversão de fluxo impulsionam uso do Grid Zero
O caso da escola reflete um cenário cada vez mais comum no mercado brasileiro de geração distribuída. O aumento das negativas de conexão devido a inversão de fluxo.
Para Maia, a demanda por esse tipo de solução como Grid zero cresceu significativamente após as distribuidoras passaram a alegar saturação na rede.
Hoje, aproximadamente metade dos projetos submetidos enfrentam esse tipo de restrição. Nesses casos, a limitação de exportação torna-se a principal alternativa para viabilizar a implantação da usina.
“A cada dez projetos que submetemos, cerca de cinco são reprovados por inversão de fluxo. O Grid Zero acaba sendo a solução para que o projeto não seja perdido”, relatou.
Apesar da crescente importância, Maia avalia que o Grid Zero ainda é pouco conhecido tanto por integradores quanto por distribuidoras. Em muitos casos, a alternativa só é considerada após a negativa formal de acesso.
Segundo ele, as concessionárias frequentemente recusam o pedido de conexão sem indicar explicitamente a possibilidade de instalação com limitação de exportação, cabendo ao próprio integrador solicitar uma revisão do projeto.
“Essa falta de padronização e divulgação dificulta a adoção da tecnologia, especialmente entre profissionais com menor experiência”, concluiu.
Todo o conteúdo do Canal Solar é resguardado pela lei de direitos autorais, e fica expressamente proibida a reprodução parcial ou total deste site em qualquer meio. Caso tenha interesse em colaborar ou reutilizar parte do nosso material, solicitamos que entre em contato através do e-mail: redacao@canalsolar.com.br.