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ISA CTEEP inaugura 1º projeto de armazenamento em larga escala do Brasil

Implementada em Registro (SP), tecnologia visa evitar interrupção de energia no litoral sul do estado e ampliar integração das renováveis

Autor: 24 de março de 2023Tecnologia e P&D
6 minutos de leitura
ISA CTEEP inaugura 1º projeto de armazenamento em larga escala do Brasil

Projeto de armazenamento de energia e a Subestação Registro (SP). Foto: ISA CTEEP/Divulgação

A ISA CTEEP inaugurou, nesta quinta-feira (23), o primeiro projeto de armazenamento de energia em baterias em larga escala do sistema de transmissão brasileiro, recém-energizado na Subestação Registro (SP), uma das responsáveis pelo abastecimento do litoral sul de São Paulo.

De acordo com a companhia, os sistemas de baterias têm 30 MW de potência, são capazes de entregar 60 MWh de energia por duas horas e atuam nos momentos de pico de consumo do litoral sul, durante o verão, como um reforço à rede elétrica. No total, estima-se que cerca de 2 milhões de pessoas sejam beneficiadas pela nova tecnologia.

Energizado em novembro do ano passado, no dia 31 de dezembro, às 19h21, já realizou o primeiro peak shaving, ou seja, a primeira descarga de energia armazenada no sistema de transmissão para reduzir o pico de carga e evitar a interrupção no fornecimento.

“Em função desse suporte, não foram necessárias ações operacionais na rede, o que elevou a confiabilidade e a segurança na prestação do serviço”, explicou Gabriela Desirê, diretora executiva de operações da ISA CTEEP.

“Sempre aberta à inovação, a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) tem uma agenda sintonizada com a modernização do setor elétrico e a transição energética”, disse Sandoval Feitosa, diretor-geral da ANEEL.

“Com maior inserção das fontes eólica e solar e da geração distribuída, precisaremos cada vez mais da utilização de inovadores recursos de armazenamento como este para o equilíbrio entre oferta e demanda”, destacou.

Vista área do sistema de armazenamento da ISA CTEEEP. Foto: ISA CTEEP/Divulgação

Vista área do projeto. Foto: ISA CTEEP/Divulgação

Próxima fronteira tecnológica

Segundo Rui Chammas, diretor-presidente da ISA CTEEP, os sistemas de armazenamento são considerados a próxima fronteira tecnológica na transição energética, capazes de contribuir com a descarbonização, a descentralização e a digitalização.

“A tecnologia é essencial nessa jornada, porque facilita a inserção de fontes renováveis, na medida em que atua na compensação da variabilidade de geração de energia intermitente, o que permite elevar a integração das fontes eólica e solar ao SIN (Sistema Interligado Nacional) e, por consequência, reduzir as emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa (GEE)”, ressaltou.

O executivo avaliou ainda que o Brasil – pródigo em recursos eólicos e solares – tem potencial para se tornar líder global no desenvolvimento de inovações essenciais para a transição energética.

“Embora sejam bastante benéficas, por não emitirem carbono, as novas fontes renováveis não são despacháveis – isto é, não podem ser acionadas a qualquer momento – como as hidrelétricas e as termelétricas. Essa intermitência cria desafios para a estabilidade e a segurança do sistema nacional”, relatou Chammas.

“Nesse contexto, o nosso papel é ajudar a vencer os desafios com projetos como esse, que representa um marco histórico para o setor elétrico e é mais um passo da empresa rumo à diversificação dos negócios”, contou.

O sistema de armazenamento foi uma solução proposta pela ISA CTEEP, em apoio aos estudos do planejamento setorial, para evitar o acionamento de geradores a diesel (uso equivalente de 350 mil litros do combustível).

A solução, além de menos poluente, não causa o mesmo ruído dos geradores e elimina o transporte de diesel para manter o contínuo abastecimento dos equipamentos. Com isso, em dois anos da tecnologia em operação, será evitada a emissão de 1.194 toneladas de GEE, e a realização de obras em áreas de preservação ambiental, como o Parque Estadual da Serra do Mar.

Os sistemas de baterias são capazes de entregar energia de 60 MWh por duas horas. Foto: ISA CTEEP/Divulgação

Os sistemas de baterias são capazes de entregar 60 MWh de energia por duas horas. Foto: ISA CTEEP/Divulgação

Laboratório de inovação setorial

Para a ISA CTEEP, o projeto servirá como laboratório de inovação setorial, com promoção de debates sobre o armazenamento de energia, sobretudo em razão da capacidade de resposta imediata e da elevada flexibilidade operativa das baterias, necessárias à rede de transmissão para reduzir os custos de operação e expansão do sistema, já que a solução pode ser reutilizada em outros pontos do país que precisem de reforço.

Além das baterias, o escopo do projeto traz inversores, transformadores, softwares de gestão de energia e sistemas de automação, proteção e controle. Na avaliação de Chammas, o setor de transmissão desempenha um papel central nessa jornada.

“Na ISA CTEEP, estruturamos um plano estratégico que impulsiona a geração de valor sustentável e o protagonismo no movimento de descarbonização da matriz elétrica brasileira, o que inclui armazenamento”, comentou.

“Estamos preparados para inovar e investir com a finalidade de vencer a distância entre os novos parques de geração renovável, que crescem de maneira célere, principalmente no Nordeste, e os grandes centros consumidores de carga, localizados no Sul e no Sudeste”, concluiu o diretor-presidente da ISA CTEEP.

Para a operação do sistema de armazenamento de energia, a companhia recebe RAP (Receita Anual Permitida) de R$ 27 milhões. O investimento previsto pelo regulador é de R$ 146 milhões. Ambos os valores são referentes a junho de 2021, conforme a Resolução Autorizativa 10.892/2021 da ANEEL.

Curiosidades do projeto

As baterias foram importadas da China durante a pandemia, o que gerou uma série de particularidades, como portos fechados. Na impossibilidade de viajar para a China, tudo foi acompanhado por vídeo.

Para transportar todo o sistema de armazenamento de baterias do Porto de Santos para Registro, foram utilizadas 45 carretas, com quatro racks de baterias em cada uma, além de outras 17 carretas para transportar transformadores, inversores e sistemas de supervisão.

De acordo com a empresa, para iniciar os ensaios em campo, antes de energizar as baterias, foi utilizada uma subestação móvel. Já para posicionar os racks de baterias no terreno, foi utilizado um guindaste com capacidade de 220 toneladas.

Na obra, trabalharam profissionais de quatro nacionalidades: brasileiros, chineses, franceses e norte-americanos. No total, mais de 31 toneladas de resíduos recicláveis gerados durante a obra foram doadas para cooperativas locais, como papelão e plástico.

Vantagens do armazenamento

O armazenamento, devido à sua versatilidade, atua como reserva de capacidade, pois fornece energia em momentos de baixa geração de outras fontes e de aumento da demanda, garantindo segurança do sistema.

Pode colaborar também em serviços ancilares, como controle de frequência e autorrestabelecimento, minimiza o impacto da inconstância de fontes intermitentes, como eólica e solar, e, consequentemente, contribui para a redução do despacho de usinas térmicas.

Mateus Badra

Mateus Badra

Jornalista graduado pela PUC-Campinas. Atuou como produtor, repórter e apresentador na TV Bandeirantes e no Metro Jornal. Acompanha o setor elétrico brasileiro desde 2020. Atualmente, é Analista de Comunicação Sênior do Canal Solar e possui experiência na cobertura de eventos internacionais.

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