Decorrido um ciclo de quatro anos dedicado a atividades preparatórias, projetos executivos e mobilização logística, a Itaipu Binacional prevê para este ano a parada programada da primeira de suas 20 unidades geradoras, para a efetiva atualização tecnológica.
Conforme levantamento elaborado a pedido do Canal Solar, a empresa destaca que este marco abre uma nova fase do PAT (Plano de Atualização Tecnológica), que prevê um ritmo médio de modernização de duas unidades geradoras por ano, garantindo que a companhia mantenha seus altos índices de desempenho por meio da transição para sistemas digitais de última geração.
Controle Centralizado
Um dos focos principais dos trabalhos neste momento é a modernização do sistema de controle centralizado, considerado o “cérebro” da hidrelétrica. O projeto contempla a implementação do novo SCADA (sistema digital de supervisão e controle) e da RTA (Rede de Tecnologia da Automação), um arranjo de comunicação e controle industrial de alta complexidade.
Esses sistemas são vitais para a operação em tempo real das unidades geradoras e para a integração com os sistemas elétricos do Brasil e do Paraguai.
A transição é muito minuciosa, uma vez que, equipamentos que, em sua maioria, ainda operam com tecnologia analógica desde a inauguração da usina em 1984, darão lugar a sistemas digitais integrados.
O escopo inclui a substituição dos sistemas de controle e proteção não apenas das unidades geradoras, mas também da subestação isolada a gás, das comportas do vertedouro e da barragem.
Além disso, serão renovados os serviços auxiliares, o sistema de medição e faturamento, e a totalidade dos cabos de força e controle da planta. Em contrapartida, componentes eletromecânicos pesados, como turbinas, rotores e estatores, permanecerão os mesmos, pois encontram-se em excelentes condições e longe do fim de sua vida útil.
Salas Seguras

Para sustentar essa nova arquitetura digital, a usina está em fase avançada de execução das chamadas Salas Seguras. São ambientes físicos controlados e de alta disponibilidade, projetados especificamente para abrigar os servidores dos sistemas SCADA, da RTA e de comunicação.
Esses espaços garantem padrões rigorosos de confiabilidade, redundância e segurança física, além de manterem as condições ambientais ideais para o funcionamento ininterrupto de sistemas críticos.
As equipes trabalham neste momento na instalação da infraestrutura elétrica e de telecomunicações da RTA, enquanto o novo software SCADA passa por testes de aceitação em fábrica.
Outra frente de trabalho essencial é a preparação civil para a instalação do SFC (Conversor Estático de Frequência). Este equipamento será fundamental para a futura modernização dos geradores diesel de emergência, ampliando a flexibilidade operacional da usina e garantindo estabilidade nas trocas de carga entre os setores de 50 Hz e 60 Hz em situações de restabelecimento do sistema.
Escaneamento 3D

Embora o foco atual seja a parada das máquinas, o sucesso da etapa de 2026 deve-se ao trabalho prévio de digitalização da infraestrutura. Em maio de 2023, Itaipu concluiu o escaneamento tridimensional a laser (3D) de grande parte da usina, gerando modelos precisos da casa de força, barragem e vertedouro.
Esse levantamento foi integrado à metodologia BIM (Building Information Modeling), permitindo que todas as fases do PAT — do planejamento às futuras manutenções — sejam visualizadas virtualmente. O uso do BIM é estratégico para reduzir retrabalhos, pois permite identificar e tratar interferências entre projetos antes da execução física no canteiro de obras.
Histórico
O Plano de Atualização Tecnológica é o projeto mais abrangente de Itaipu desde sua construção, com cerca de US$ 670 milhões em investimentos já contratados. O PAT foi dividido em diferentes frentes para garantir eficiência na execução de um cronograma que se estende por 14 anos, até 2036.
O contrato principal compreende investimento da ordem de US$ 649 milhões. A licitação foi vencida pelo CMI (Consórcio Modernização de Itaipu), um grupo binacional liderado pela brasileira GE Vernova, em parceria com as paraguaias CIE e Tecnoedil.
Além do contrato principal, o plano conta com contratos acessórios fundamentais. A empresa paraguaia Aponte Latorre executa, desde 2022, a construção de dois grandes almoxarifados pelo valor de US$ 13,9 milhões.
Já o consórcio binacional Worley-Inconpar fornece apoio especializado desde agosto de 2023, em um contrato de US$ 3,8 milhões com duração de 48 meses.
Capacitação
Um pilar central para a autonomia técnica da binacional é o Cintesc (Centro de Integração de Sistemas e Capacitação), concluído pela empresa paraguaia Ricardo Díaz Martínez por US$ 1,8 milhão.
Inaugurado em janeiro de 2025, o Cintesc é um complexo de 1.257,59 m² com capacidade para treinar até 100 pessoas simultaneamente. O espaço conta com laboratórios para testes de integração dos novos sistemas digitais, permitindo que as equipes de Itaipu realizem procedimentos de teste e treinamento internamente, reduzindo custos e agilizando o cronograma.
O PAT abrange ainda a modernização da Subestação da Margem Direita, situada no lado paraguaio. Esta instalação é crítica por conectar Itaipu ao sistema elétrico do Paraguai e ao sistema de corrente contínua de alta tensão da Eletrobras, que transmite a energia para o mercado brasileiro.
Esta etapa já teve suas especificações técnicas concluídas e os documentos para a licitação estão em fase final de elaboração, consolidando o avanço contínuo e técnico de todo o programa de modernização.
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