O DOU (Diário Oficial da União) publicou nesta segunda-feira, 13 de abril de 2026, o Despacho nº 1.216 da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), que formaliza a transferência do controle societário da Roraima Energia para o Grupo J&F.
O documento marca a conclusão legal de uma operação de aquisição iniciada em outubro do ano passado, quando o grupo dos irmãos Batista anunciou o acordo para assumir a concessionária, anteriormente controlada pela Oliveira Energia.
Decisão
A autorização para a mudança de comando foi deliberada no último dia 7 de abril, durante reunião pública da diretoria colegiada da ANEEL.
Na ocasião, o relator do processo, diretor Gentil Nogueira, proferiu voto favorável à anuência prévia para a transferência das ações, sendo acompanhado pelos demais diretores presentes. O diretor Fernando Mosna declarou suspeição e não participou da votação.
Além da distribuidora de energia, a operação aprovada pela agência reguladora envolve a compra de quatro usinas termelétricas pertencentes à Oliveira Energia: Distrito, Floresta, Monte Cristo Sucuba e Monte Cristo, todas situadas em Boa Vista.
A decisão da ANEEL foi o sinal verde definitivo para que o novo controlador assuma Roraima Energia, repetindo um movimento similar ocorrido anteriormente com a Amazonas Energia.
Estrutura
De acordo com os termos detalhados no despacho da ANEEL, o controle societário direto da Roraima Energia passa a ser detido pela Futura Venture Capital Participações Ltda., veículo de investimento do grupo J&F.
O controle indireto da concessionária, porém, ficará sob a responsabilidade das sociedades JJMB Participações Ltda. e WWMB Participações Ltda., empresas que pertencem aos irmãos Joesley José Mendonça Batista e Wesley Mendonça Batista, respectivamente.
Embora a Futura seja a detentora formal das ações, fontes do setor indicam que a operação prática e a gestão cotidiana da distribuidora ficarão a cargo da Âmbar Energia, braço do Grupo J&F especializado no setor elétrico.
Como parte da formalização, a ANEEL aprovou um termo aditivo ao Contrato de Concessão nº 04/2018, estabelecendo novos prazos e critérios de eficiência econômico-financeira que os novos controladores deverão cumprir para sanear a empresa.
Histórico
A transferência da Roraima Energia para o Grupo J&F encerra um longo período de incertezas regulatórias que se arrastava desde a privatização da empresa em 2018.
Naquele ano, a concessionária foi arrematada pela Oliveira Energia, companhia historicamente focada no aluguel de geradores e sem experiência prévia na complexa gestão da distribuição de energia para o consumidor final.
O estado de Roraima, por ser o único não interligado ao Sistema Interligado Nacional (SIN) naquela época, impôs desafios sistêmicos que levaram a gestão anterior ao colapso financeiro.
A distribuidora acumulou dívidas bilionárias com a Petrobras e a Eletrobras referentes à compra de combustível para as térmicas, resultando em inadimplência setorial e bloqueio de repasses de subsídios pela ANEEL.
Diante da ameaça de caducidade da concessão por parte da agência reguladora, o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério de Minas e Energia (MME) passaram a defender uma solução de mercado.
A entrada do Grupo J&F foi vista como estratégica, uma vez que a Âmbar já atuava como credora e fornecedora da companhia na região Norte.
A necessidade de um operador solvente para viabilizar os novos contratos do chamado Linhão de Tucuruí, que conectou Roraima ao restante do país, foi o fator determinante para acelerar o desfecho do negócio e a aprovação final pela ANEEL.
Você pode se interessar também!
Todo o conteúdo do Canal Solar é resguardado pela lei de direitos autorais, e fica expressamente proibida a reprodução parcial ou total deste site em qualquer meio. Caso tenha interesse em colaborar ou reutilizar parte do nosso material, solicitamos que entre em contato através do e-mail: redacao@canalsolar.com.br.