Cada consumidor brasileiro ficou, em média, cerca de 9 horas e 18 minutos sem acesso à energia elétrica ao longo de 2025, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (15) pela ANEEL.
Apesar do patamar ainda elevado, o indicador apresentou uma redução de 9,2% em relação às 10 horas e 14 minutos registradas em 2024. Já a frequência das interrupções também recuou, passando de 4,89 para 4,66 ocorrências por consumidor (queda de 4,7%).
De acordo com a ANEEL, ambos os indicadores vêm apresentando trajetória de melhora nos últimos anos, refletindo o cumprimento de limites regulatórios cada vez mais rigorosos e o avanço no desempenho das distribuidoras.
No que diz respeito às compensações financeiras, os consumidores receberam, em 2025, um volume inferior ao registado em anos anteriores.
Segundo a Agência Reguladora, a redução está associada justamente à melhoria na qualidade do serviço prestado pelas distribuidoras de energia elétrica ao longo do período.
Os dados apresentados mostram que os pagamentos caíram de R$ 1,122 bilhão em 2024 para R$ 1,002 bilhão em 2025, acompanhados também por uma redução no número de ocorrências indenizadas.
O recuo nos valores pagos está associado à evolução dos indicadores de qualidade do fornecimento, afirma a Agência, que apontam menor duração e frequência de interrupções no sistema elétrico.
Melhora no desempenho
As compensações são pagas automaticamente pelas distribuidoras quando os limites regulatórios de interrupções são ultrapassados. Assim, a queda nos valores indica que as concessionárias ficaram mais próximas, ou dentro, dos padrões exigidos pela regulação.
Em 2025, a quantidade de compensações caiu de 27,3 milhões para 21,6 milhões, reforçando a tendência de melhoria na prestação do serviço, de acordo com a ANEEL.
A evolução observada está relacionada a um conjunto de medidas regulatórias adotadas nos últimos anos, como revisão de contratos de concessão, incentivos tarifários ligados à qualidade, fiscalização mais intensa e definição de metas mais rigorosas para as distribuidoras.
Ranking das distribuidoras
No ranking de continuidade, que considera o DGC (Desempenho Global de Continuidade), algumas distribuidoras se destacaram positivamente. Entre as empresas de grande porte, os melhores resultados foram registrados por CPFL Santa Cruz (SP), seguida por Neoenergia Cosern (RN) e Equatorial Pará.
Entre as distribuidoras de menor porte, o primeiro lugar foi compartilhado por Muxenergia (RS) e Roraima Energia (RR), com a Energisa Acre na sequência. O levantamento também mostra movimentos relevantes no ranking.
A CPFL Piratininga foi a empresa que mais avançou, subindo sete posições, enquanto a Enel SP registrou a maior queda, com recuo de nove posições em relação ao ano anterior. Com isso, a distribuidora paulista aparece na 30ª posição entre as concessionárias de grande porte – desempenho que mantém a empresa sob atenção regulatória e pode influenciar discussões sobre a continuidade da concessão.
Em nota, a Enel SP afirmou que o ranking da ANEEL leva em consideração limites regulatórios diferentes para cada concessão. “Em São Paulo, por exemplo, esses limites são mais rigorosos, o que faz com que o ranking não reflita a realidade dos indicadores de qualidade”, frisou.
A empresa também reafirmou compromisso com o serviço prestado a seus clientes. “A Enel ressalta que os indicadores absolutos de qualidade das suas três distribuidoras (Enel Rio, Enel Ceará e Enel São Paulo) estão melhores do que a média do país. Cabe destacar ainda que a Enel São Paulo é a décima empresa com menor duração das interrupções (DEC) no Brasil”, afirmou a empresa.
Um dado considerado relevante pela ANEEL é que, pela primeira vez, todas as distribuidoras de grande porte apresentaram índice DGC inferior a 1, indicando cumprimento mais próximo dos limites regulatórios.
Desafios persistem
Apesar da melhora nos indicadores de qualidade, o setor elétrico ainda enfrenta desafios importantes. A busca por serviços mais confiáveis exige investimentos contínuos em redes, tecnologia e manutenção, ante o agravamento das mudanças climáticas, o que pressiona os custos das distribuidoras.
Ao mesmo tempo, há uma preocupação crescente com o impacto desses custos sobre as tarifas de energia, que já se encontram em níveis elevados e tendem a subir com a expansão do sistema, encargos setoriais e novos investimentos.
A questão ganha ainda mais relevância em um cenário de maior sensibilidade política em torno do tema tarifário, já que o custo da energia elétrica tem impacto direto sobre consumidores residenciais, atividade econômica e inflação.
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