A primeira etapa do leilão de sistemas de transmissão de energia elétrica realizada nesta sexta-feira (27) terminou com todos os cinco lotes arrematados e deságio médio de 50,7% – um dos mais expressivos desde 2020, segundo a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).
O certame, realizado na B3, em São Paulo, ofertou 798 km de novas linhas de transmissão e nove subestações, somando 2.150 MVA de capacidade de transformação, além da instalação de compensadores síncronos.
A RAP (Receita Anual Permitida) máxima ficou em R$ 286,2 milhões, economia estimada para os consumidores de R$ 7,6 milhões durante os 30 anos de contratos.
Os empreendimentos devem movimentar cerca de R$ 3,3 bilhões em investimentos, distribuídos por Bahia, Ceará, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Sergipe, Santa Catarina e São Paulo.
O principal destaque do leilão foi a Engie Brasil Transmissão, que saiu vencedora dos lotes 2 e 3 – este último considerado um dos mais relevantes do certame.
O lote 3, arrematado por meio da disputa cruzada entre os sublotes A, B, C e D, prevê a instalação de compensadores síncronos no Ceará e no Rio Grande do Norte, com o objetivo de reforçar a estabilidade e a capacidade do sistema na região Nordeste, além de contribuir com a redução do curtailment. O investimento estimado é de R$ 1,38 bilhão, com prazo de implantação de 42 meses e geração prevista de 3,9 mil empregos.
A RAP ofertada pela companhia para o conjunto dos sublotes foi de R$ 104,17 milhões, o que representa um deságio de 55,05% em relação ao teto de R$ 231,75 milhões.
Já o lote 2 foi arrematado com uma RAP de R$ 18,14 milhões, equivalente a um deságio de 46,89%. O projeto contempla uma linha de transmissão de 137 km, em 230 kV, entre Ponta Grossa, São Mateus do Sul e Canoinhas, nos estados do Paraná e Santa Catarina.
O investimento estimado é de R$ 193,6 milhões, com prazo de 42 meses e expectativa de geração de 553 empregos.
Outro destaque foi a CYMI Construções e Participações, vencedora dos lotes 1 e 5. No lote 1, a empresa apresentou proposta de R$ 46,61 milhões de RAP, com deságio de 46,85%, superando concorrentes como a Axia Energia.
O empreendimento inclui duas linhas de transmissão, que somam 43 km, e duas subestações com capacidade total de 800 MVA. O investimento previsto é de R$ 528,9 milhões, com prazo de execução de 49 meses.
O projeto busca reforçar o atendimento no Sul Fluminense (RJ), além de regiões de Bragança Paulista (SP) e do sul de Minas Gerais. A estimativa é de geração de 1,3 mil empregos.
No lote 5, a CYMI ofertou RAP de R$ 91,19 milhões, com deságio de 50,89%, superando empresas como EDP e Taesa. O lote abrange duas linhas de transmissão que totalizam 505 km e três subestações com capacidade de 1.050 MVA.
O investimento estimado é de R$ 1,01 bilhão, com prazo de 60 meses. O empreendimento visa ampliar o suprimento de energia nos estados do Mato Grosso e Pará, com previsão de geração de cerca de 2 mil empregos.
Por fim, o lote 4 foi arrematado pelo Consórcio BR2LT Transmissora, com RAP de R$ 25,56 milhões e deságio de 37,89%, superando players como Axia e Alupar.
O projeto inclui duas linhas de transmissão (113 km) e uma subestação de 300 MVA, com investimento estimado em R$ 230,4 milhões. A iniciativa busca ampliar a capacidade de atendimento no estado de Sergipe e reforçar o sistema no Nordeste da Bahia.
Falta ainda licitar os lotes de 7 a 10, porém não há data definida para o pregão. O lote 6 segue envolvido em uma disputa judicial e está fora do certame.
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